Bio

Nasci na beira de um rio, em 1989.

Nele me banhei e me interliguei com as forças e encantamentos da natureza.

Foi na comunidade do Porto Grande, nas margens do Tocantins paraense, numa casa de 11 irmãos, que meus olhos enxergaram a promessa de fartura (que nunca veio) e testemunharam a difícil luta pela sobrevivência de uma família ribeirinha , nativa, com fortes ligações com a ancestralidade dos que vieram antes de mim.

Pela voz da minha avó, pelo exemplo de meu pai e de muitos parentes fui me descobrindo parte de uma história que se se perde em gerações e em tempos imemoriais.

Cametá, meu município de nascimento, herdou seu nome do antigo povo Kamuta (“os que viviam em árvores”), do tronco Tupi, parte da incontável e poderosa nação Tupinambá , que dominou essas terras desde muito antes da invasão europeia.

Aos 14 anos, como tantas meninas da minha geração, migrei para capital, Belém. Fui empregada doméstica, costureira, atendente de consultório odontológico e comerciária. Senti o enorme choque cultural e existencial ao romper com o modo tradicional de existência para enfrentar o massacrante ambiente urbano da periferia marcada pelo desemprego, falta de saneamento e serviços públicos precários ou inexistentes.

Foi através da educação que descobri as raízes da injustiça e do racismo estrutural. Foi através da militância social que me vi parte de um projeto de transformação, a ser construído por muitas mãos, com forte presença da juventude, sobretudo a partir das grandes jornadas de 2013.

Formada em jornalismo, mãe de Inae, me tornei mídia ativista em defesa da (re)existência dos povos originários em nosso país, idealizei e criei o Programa Nossa Voz, para ecoar e potencializar nossas vozes ancestrais.

Nasci Nice Goncalves.

Hoje, abraçando minha ancestralidade, sou Nice Tupinambá.

P