Manifesto pela vida dos povos da Amazônia

Derrotar o Bolsonaro é urgente para defender a vida das pessoas, sobretudo, os mais vulneráveis. O Brasil voltou para o mapa da fome, do desemprego e da falta de perspectiva de futuro. São milhões de brasileiras e brasileiros indo dormir todo dia sem saber o que terão para comer no dia seguinte. Essa falta de políticas públicas quando olhamos para o norte do Brasil torna-se ainda mais acentuada com o agravo de sermos uma região ainda carente de investimentos, principalmente quando não há projetos pensados na lógica de desenvolvimento sustentável e com a visão amazônida.

É preciso pensar o futuro da Amazônia a partir de quem aqui vive com propostas de proteção ambiental, desenvolvimento sustentável que gere emprego e renda, investimentos e propostas de lei para jovens e mulheres empreenderem, assim ajudando na conquista da autonomia financeira. Chega de pensar a Amazônia apenas como floresta, mas como uma região de um povo inviabilizado e carente de políticas públicas. Uma região ainda sob ataque a sua biodiversidade, aos povos da floresta e aos ambientalistas.

A Amazônia, infelizmente, é uma região rica de um povo pobre. Quando observamos os dados de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos municípios brasileiros, verificamos que a pobreza tem maior concentração nas regiões Norte e Nordeste. Mas é nossa região a mais afetada por grandes empreendimentos como as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí, a exploração de madeira, minério, soja, entre outros.

A violência é outro dado importante. Desde 2019 o número de mortes de ambientalistas na Amazônia cresceu de forma assustadora. Só em 2020 foram 27 assassinatos de defensores do meio ambiente registrados mundo afora, 20 deles ocorreram no território brasileiro, apontou a ONG Global Witness. Os Indígenas da Amazônia foram as principais vítimas. O mais recente caso foi o assassinato do ambientalista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Philips. Em um relatório da Comissão Temporária Externa do Senado foi dito, textualmente, que o Estado brasileiro não tem tomado as medidas necessárias para a proteção dos indígenas e da manutenção da política indigenista e concluiu que a morte foi causada por negligência do governo.

De agosto de 2021 a julho de 2022, foram derrubados na Amazônia o equivalente a sete vezes a cidade de São Paulo. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). A destruição no governo Bolsonaro vai muito além da conivência com o desmatamento, mas avança com a grilagem em terras indígenas, a falta de recursos, investimentos em órgãos de fiscalização e o aumento da violência contra ambientalistas e lideranças sociais na região.

Dessa forma, defender a Amazônia é está do lado da vida, do desenvolvimento sustentável para geração de emprego e renda, do apoio às mulheres, jovens e da classe trabalhadora. É preciso estar em sintonia com um olhar de futuro justo e socialmente equilibrado onde a política seja exercida para o bem viver e a construção de soluções para todos e todas que vivem no Pará.