406 anos da nossa Belém Mairí Tupinambá


“Belém Belém, és minha bandeira, és a flor que cheira no Grão-Pará”

(Chico Senna)



Belém comemora seus 406 anos nesse 12 de janeiro em referência ao início da ocupação sanguinária portuguesa nestes rincões da Amazônia Brasileira. Mas o muito que se tem a comemorar não apaga o parto cruel de uma cidade construída sobre cemitérios Tupinambá. Belém é hoje sinônimo de metrópole encrustada na floresta. É também caracterizada por um dos mais importantes acervos da arquitetura e do urbanismo de grande valor histórico-cultural.


Belém é a expressão de um dos mais ricos mosaicos sócio-culturais. É uma identidade em permanente construção porque enriquecida ao longo de sua história pela contribuição de povos oriundos dos mais diversos continentes. As expressões da criatividade artística são de uma diversidade e beleza irrefutáveis, ou seja, Belém contrasta história e contemporaneidade em sua rotina acelerada.


Belém da chuva da tarde, do cafézinho com pupunha, das mangas pelas calçadas, do som do pô-pô-pô, do tacacá nas esquinas. Belém das suas danças tradicionais e contemporâneas, das paisagens inesquecíveis, do banho de rio em suas ilhas, de suas grandes aparelhagens, do RexPa. Belém da Revolta dos Cabanos, do Círio de Nazaré e da Igreja da Sé.


Belém do seu Ver-o-Peso, do seu Arraial do Pavulagem, do seu Teatro da Paz, do seu Cine Olympia, Mangal das Garças, Bosque Rodrigues Alves, Museu Emílio Goeldi, Parque do Utinga e da Praça da República.


No entanto, Belém é também lugar da resistência. Afinal, as perversidades sistêmicas, ao longo da história, têm se afirmado como um lugar de produção do novo. A morte de Guaimiaba Tupinambá e de mais dois mil guerreiros rebelados contra a dominação portuguesa, a resistência à adesão à farsa da independência do Brasil e à cabanagem certamente, a mais importante revolução popular já ocorrida no Brasil, tendo constituído três governos revolucionários nos idos de 1835, denotam a capacidade de dizer não ao que é desumanizante, para afirmar o sonho de uma sociedade humana, verdadeiramente humanizada.


Por tudo isso, Belém tem muito a festejar ao completar quatro séculos e seis anos, por exemplo, celebrar o fim de quase duas décadas de abando e desamor pela cidade. Se nos últimos dezesseis anos o nosso povo pobre enfrentou os problemas histórico-estruturais se agravarem devido à ação de governos inescrupulosos e subservientes aos agentes hegemônicos e à racionalidade do lucro, ainda assim e por causa disso, os cidadãos de Belém, através do trabalho, da luta organizada e consciente e da produção de valores alternativos ousam afirmar a possibilidade de um mundo novo elegendo Edmilson Rodrigues prefeito novamente.


É esse o espírito de nosso povo que não se furta ao engajamento na construção de um futuro mais justo e feliz para nossa capital que Carrego a esperança dos povos originários da Belém Mairi de que se construirá essa cidade de justiça, igualdade e solidariedade. Viva Belém! Salve força dos filhos da cidade das mangueiras, cidade indígena, cidade aldeia, cidade originária, cidade da chuva da tarde, cidade dos ritmos, da gastronomia... Ah! Belém, são tantos os motivos pelos quais te lembramos e queremos bem. Nos teus 406 anos só podemos te desejar mais 400, 800, 1000 anos de lutas, de vitórias, de conquistas, da simpatia, da alegria desse povo de tantas histórias que faz de ti o quê tu és: Belém. Viva o povo cabano!