A CMB virou palco de racismo e machismo contra vereadoras negras



A Câmara Municipal de Belém, foi palco de um show de horrores racistas e machistas. Durante uma sessão no plenário da casa, as vereadoras Nazaré Lima (Psol) e Livia Duarte (Psol), foram vitimas de racismo por parlamentares da casa. O espaço político ainda é duro para uma mulher, e quando ela é negra, é ainda mais doloroso.


Tudo começou quando o Vereador Fernando Carneiro (Psol), pediu uma inclusão nos altos da casa, o caso do metalúrgico, Luíz Claudio da Silva, que foi vítima de racismo em um supermercado de São Paulo. Fernando, levantou questões do racismo estrutural, e sobre a violência que o povo negro sofre na sociedade.


Logo após a enfermeira Nazaré (Psol), sobe na tribuna para falar sobre o que ela própria já sofreu enquanto mulher negra na sociedade, e expôs durante sua fala sobre coisas que já passou na própria Câmara Municipal.


Nazaré, que foi a primeira vereadora negra assumir o cargo, disse que teve dificuldade quando iniciou seu mandato, em que era questionada ao entrar na casa, e olhada de cima abaixo. Diferente do tratamento que era dado as pessoas brancas.


A fala da vereadora foi o motivo para acordar os racistas enrustidos que temos como nossos representantes. Juá Belém (Republicanos), se achou no direito de usar o seu direito de fala durante a sessão, para chamar Nazaré de covarde, e chegou a culpá-la por não denunciar os responsáveis pelas atitudes que ela tinha dito anteriormente. Seguindo o mesmo discurso preconceituoso, o vereador Emerson Sampaio (PP) e Josias Higino, disseram a vereadora que ela estava se valendo de um discurso vitimista.


Livia Duarte (Psol), pediu a fala ao presidente da Câmara, e assim que lhe foi concedida, ela foi atacada pelos mesmos vereadores que vociferaram contra Nazaré. Lívia, que subiu na tribuna para prestar solidariedade a colega, teve seu discurso interrompido várias vezes, e acusada de ficar fazendo choradeira.


É grave, quando vemos que as mulheres que nós elegemos, sofrem racismo dentro de um espaço de deveria nos proteger. Ouvir termos como “vitimismo” e “racismo reverso” não cabe mais dentro de um lugar que deveria estar pautando coisas que melhorem a nossa vida.