Agronegócio insustentável coloca em risco a vida indígena

Quilombolas, ribeirinhos e povos tradicionais também estão ameaçados pela contaminação de agrotóxicos

Encurralados pelo agronegócio, a população indígena, da comunidade Tembé, que reside no município paraense de Tomé-Açu, sofre com doenças motivadas pela contaminação dos rios e adjacências das terras indígenas. Os sintomas mais relatados são: dor de cabeça, irritação na pele, enjoo e diarreia, provocada pelo consumo de peixes envenenados com substâncias vindas da empresa Brasil Bio Fuels (BBF), responsável pelo crime ambiental que vem ocorrendo na região.


A empresa atende pelo nome de BBF, mas antes era denominada Biopalma, segundo os indígenas a empresa sempre foi a mesma, mas usa de manobras na troca de nomes para não atender às medidas de proteção das comunidades de preservação, que são agredidas pelas plantações da produtora de dendê.


O agronegócio quando vendido em comerciais televisionados apresentam uma imagem sustentável, ambientalista e ecologicamente correta, mas o que eles esquecem de dizer é que desde o seu nascimento a população indígena, quilombola, ribeirinha e povos de comunidades tradicionais são prejudicados pelo descarte de resíduos inapropriados.


A plantação realizada nos arredores das terras indígenas afeta a vida humana e não humana, além de causar significativas ameaças à floresta, ocasionadas pela contaminação da água e do solo, sendo também, culpada pela escassez de peixes e animais de caça, impactando diretamente na vivência indígena.


O presidente da Associação Indígena Tembé de Tomé-Açu (AITTA), Paratê Tembé, relatou o caos que a comunidade está enfrentando. “Desde o início do empreendimento, sofremos as consequências causadas pela contaminação de agrotóxicos. O veneno atinge crianças, adultos e até animais que são afetados com as substâncias despejadas nas nossas terras.”, explicou.


Em ofício enviado ao Ministério Público, no dia 2 de outubro deste ano, o indígena denunciou as ameaças que vem sofrendo por membros da empresa BBF. “Eles solicitaram apoio da comunidade, disseram que era reintegração de posse, com argumentos de suspensão de projetos e repasses de recursos aos indígenas, o que levou as lideranças a aderirem o movimento sem saber que se tratava de cumprimento de ordem judicial”, relatou no documento.


A liderança indígena explicou que ao procurar a empresa BBF para esclarecimentos, junto às outras lideranças, foram recebidos de forma hostil, sendo assim, se retiraram do local na mesma hora. “A gente é sempre usado como massa de manobra, pois quando solicitamos nossos direitos, como amparo na área de saúde, a empresa não nos apoia e quando entram em situação de conflitos, somos chamados.”, completou o indígena que segue sendo alvo de ameaças.



Há quase dez anos os indígenas lutam contra os impactos que sofrem desde o início das atividades realizadas pela empresa, várias reuniões junto ao Ministério Público Federal (MPF) e os indígenas foram realizadas, mas as medidas ainda não são suficientes para atender as necessidades da população indigenista e comunidades dos arredores. “A gente quer compensação pelos danos e crimes ambientais cometidos, eles, assim como as fazendas, estão dentro de territórios indígenas e, precisam compensar os danos causados, que não são poucos, e também, minimizar todo o trabalho que é feito dentro das nossas terras,” Frisou.


Apesar de possuírem direitos garantidos por lei, os indígenas e comunidades tradicionais seguem sendo atacados por empresas que colocam os lucros acima da vida e exterminam tudo que veem pela frente, até mesmo um ambiente saudável de riquezas naturais.


Considerado líder no capitalismo global, o óleo de palma carrega danos irreversíveis quando não tomados os devidos cuidados no seu cultivo, podendo provocar grandes ameaças para a Amazônia, de quem todos dependem para continuar respirando.


O Pará é o principal produtor de óleo de palma em larga escala no Brasil, o país ainda busca se firmar na comercialização do produto causador de tantas polêmicas e prejuízos. A ânsia por um lugar na lista de melhores fornecedores de dendê, provoca a ambição que resulta em poluição e morte.


Embora o Brasil não esteja em primeiro lugar no ranking mundial na produção de dendê, ele ocupa o primeiríssimo lugar no ranking dos países que mais consomem agrotóxicos. Isso diz muita coisa a respeito das atividades exercidas pelas indústrias que afirmam não serem provocadoras de danos ambientais.