Alter do Chão: Caribe Paraense ameaçado pelo garimpo ilegal


Fotografia aérea feita em janeiro mostra águas barrentas do Tapajós em contato com o Lago Verde, em Alter do Chão/ Foto Erik Jennings Simões

O rio Tapajós é mais um dos rios que tem sofrido transformações, devido ação ilegal e predatória da invasão de pessoas e empresas na região. Portos, hidroelétricas, fluxos intensos de barcaças e navios, desmatamento e principalmente o garimpo ilegal, vem afetando as águas do majestoso Tapajós, e hoje chegam às margens de Alter do chão, popularmente conhecida como “caribe amazônico”.


Quem visita o distrito paraense de Alter do Chão costumava se deleitar com as águas límpidas e azuladas do Tapajós, mas no último Réveillon no distrito, um dos principais destinos turísticos da Amazônia, encontrou algo diferente: as águas que banhavam as praias de areia clara estavam turvas e barrentas.


A estudante Carla Águiar, de Santarém, disse que tomou um susto ao retornar a sua cidade e encontrar a água daquela cor “Já tem um tempo que eu vou a Santarém e vejo a mudança da cor da água, mas dessa vez eu fiquei mais assustada, o Lago Verde, em Alter do Chão, está completamente marrom, não se vê mais aquela água cristalina” a estudante, que mora em Belém para cursar a faculdade de medicina disse também os moradores estão cada vez mais preocupados com o que vem acontecendo em Alter do chão, principalmente aqueles que vivem do turismo local.


Em 2021 foram feitas expedições na região com o projeto chamado “Águas do Tapajós”, e segundo os pesquisadores o aumento de desmatamento e o avanço do garimpo são os principais culpados do fenômeno que estamos vendo acontecer em Alter do chão. Durante a expedição foram identificadas inclusive a presença de toxinas nas águas do rio.


De acordo com laudo divulgado pela Polícia Federal em 2018, foi encontrado um valor muito grande de sedimentos, incluindo mercúrio e cianeto, lançados pelas atividades garimpeiras na região. Segundo o perito Gustavo Geiser, em entrevista na época, o material lançado nos 11 anos anteriores foi similar ao do rompimento da barragem de Mariana.


Trecho de deságue do rio Cripori, que sofre com garimpo, no Rio Tapajós, em setembro passado Foto: Divulgação / Erik Jennings

Seu Nonato Viana, de 47 anos, é Fluviário e contou que a cor das águas das praias da região estão todas turvas “Tá todo mundo reclamando disso, tem um tempo que já acontece, e a gente sabe que isso daí é fruto do desmatamento daqui da região, as coisas tão muito mudadas, até a praia do maguari a água está barrenta também” Seu Nonato destaca que ele mesmo já notou como a interferência do garimpo está afetando a saúde dos rios “Sabe o encontro das águas do Tapajós com o rio Amazonas? Estão quase da mesma cor! Se tu fores lá, não vais mais ver o antigo evento da natureza, por que o homem tá matando tudo”. Seu Nonato fala sobre o encontro dos mais belos rios do Brasil. Os grandiosos Rio Tapajós e Rio Amazonas correm por caminhos distintos em terras paraenses até que se juntam em uma bela disputa, onde é possível ver a nítida diferença das águas de cada um deles.


Em dezembro do ano passado, a ONG Greenpeace divulgou o resultado de um monitoramento, realizado em 2016, nos rios que cruzam as terras indígenas “Munduruku” e “Sai Cinza”, área onde desaguam no Tapajós, que aponta o garimpo ilegal como o principal destruidor da natureza daquela região. O levantamento mostrou que o garimpo ilegal destruiu 632 quilômetros de rios dentro desses territórios.

moradores de Santarém, município que engloba Alter do Chão, eles publicaram nas redes sociais no fim de dezembro fotos aéreas que mostravam o Tapajós com águas turvas.


"O Tapajós está morrendo!", protestou no Instagram em janeiro a agência local de turismo Poraquê.

"Águas barrentas, cheias de resíduos nocivos à saúde, estão sendo despejadas sem piedade alguma", completou a agência, atribuindo a lama à "mineração irregular de inúmeros garimpos ao longo do rio".


reprodução instagram

O garimpo é o câncer da Amazônia, ele mata tudo que está a sua frente, rios, florestas, nosso povo! Ele transforma o que é belo em morte. O majestoso tapajós aos poucos sucumbe ao despejo de toda a sujeira que o garimpo despeja em seu leito, e agora estamos em risco de perder uma das maiores belezas naturais do nosso estado, o nosso caribe amazônico.