Amazônia tem um novo dia do fogo


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A Amazônia registrou, no dia 22 de agosto, um recorde negativo: 3.358 focos de incêndio no intervalo de 24 horas. É a pior marca em 15 anos, de acordo com dados do programa federal que monitora as queimadas no bioma. Os números são assustadoramente superiores ao visto em uma data emblemática na história de destruição do bioma: o "Dia do Fogo" de 10 de agosto de 2019, quando fazendeiros no Pará se articularam criminosamente para provocar queimadas ilegais em diversos pontos da região. Ao todo, foram 1.173 registros.


Os maiores focos de incêndio estão concentrados nos estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso. Desde 2019 com o atual governo federal o que se viu foi o desmonte da política ambiental, de descontrole completo e do incentivo a destruição do bioma.


E segundo especialistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Impa), os meses de agosto e setembro são, historicamente, os que mais têm queimadas na Amazônia, coincidindo com o período de menos chuvas na região. É nesse bimestre que ocorre a chamada estação do fogo. Nos últimos dias, ele se concentrou na região sul do Pará e do Amazonas. Os dados pioram quando analisados os últimos sete dias onde foram contabilizados 13.174 focos de incêndios.


As ações associadas ao discurso de Jair Bolsonaro, contribuíram para o cenário visto atualmente. Entre elas, o desmonte de instrumentos de fiscalização e a desqualificação de dados sobre desmatamento. A impunidade também é um fator considerável. O grupo de fazendeiros do Pará que decidiram organizar uma manifestação criminosa em apoio às políticas de desmonte ambiental do Brasil não foram punidos como deveriam. Segundo denúncia do Greenpeace, mesmo sendo possível identificar um grande número de responsáveis, apenas 5% dos envolvidos na queima de florestas tiveram áreas embargadas, outros continuam produzindo a pleno vapor.