As cheias do rio Tocantins dão sinais de alerta sobre as mudanças climáticas


foto: Toninho de Castro // a faixa de praia ao longo do rio Tocantins, da Aldeia até Tapera, em Cametá (PA)

As fortes chuvas registradas no mês de janeiro em regiões em que o rio Tocantins deságua ainda estão causando dor e sofrimento a inúmeras famílias que precisam conviver com a sensação de perda de seus bens materiais, que são levados pela correnteza da água, além de marabá, outro município ainda sente o impacto das fortes chuvas, desta vez, Cametá atravessa dificuldades, em razão do nível elevado de chuvas, que castigam a população de inúmeras regiões do estado do Pará.


A pergunta que fica é, essas cheias são causas naturais, ou reflexo da ação humana?

O volume das chuvas está relacionado com o fenômeno climático “La Niña”, que faz com que a região Norte fique mais chuvosa durante essa época do ano. Com o resfriamento da temperatura dos oceanos, aumenta a incidência de chuvas. Em entrevista ao site Amazônia Real a bióloga e doutora em ecologia Ludmila Rattis, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research Center, alerta que os o crescimento da concentração de gases estufa na atmosfera e uma consequente mudança da temperatura dos oceanos, temos uma série de eventos que se desencadeiam o que chamamos de eventos climáticos extremos. Na prática, é possível constatar o aumento da temperatura e mudanças na distribuição da chuva.


Com o acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera, provenientes de queimadas, emissões veiculares e industriais, descarte de resíduos sólidos (lixo) e desmatamento, queima de combustíveis fósseis e tantas outras atrocidades, fazem com que nosso planeta apresente uma tendência crescente de aquecimento da temperatura média, e uma das coisas mais prejudiciais com relação a todos esses pontos negativos, a ocorrência de eventos climáticos intensos e severos, como a mudança dos padrões regionais de chuvas que podem causar seca ou inundações em diferentes locais.


Isso já está acontecendo e é tudo tão triste, pois é um tema que não é debatido, muitos vendem a ideia de que as cheias e inundações são ações naturais do meio ambiente, mas não é bem assim, esses registros catastróficos poderiam ter sido evitados se houvesse medidas que reduzissem a quantidade de poluição e camadas tóxicas que são despejadas diariamente no oxigênio do nosso país.


O município de Baião, localizado 62 quilômetros a sudoeste de Cametá, enfrenta a maior cheia desde 1980, quando foi registrada a última enchente, de níveis superiores aos vistos nos útimos dias. À época, o Rio Tocantins ultrapassou 16 metros, de acordo com a Defesa Civil. As chuvas constantes que vêm caindo na região no último mês fizeram com que o rio atingisse 12,4 metros, quase o triplo da cheia do ano passado, que afetou várias famílias.


Segundo maior curso d'água totalmente brasileiro, o rio Tocantins banha parte das regiões centro-oeste e norte do Brasil. No caso de Cametá, o rio Tocantins, é um importante meio de sobrevivência para as populações que moram no local, para além disso o rio que corta Cametá é fruto de muitas histórias boas da população, mas com as chuvas sem dar trégua, resultando no aumento do nível de água do rio Tocantins, as populações que vivem às margens dessa riqueza, sofrem drasticamente, estando em alerta para que a água não invada suas casas.


Em Marabá já passa de mais de 500 famílias afetadas pela cheia do rio Tocantins, e quem é responsabilizado por isso? Até o momento ninguém. As famílias continuam sem suas casas, perambulando por abrigos e dependendo da boa vontade do governo para conseguir alimentação e moradia, o problema não está na natureza, o problema das fortes chuvas e do aumento do nível do rio Tocantins é culpa de quem desmata, de quem queima, de quem dá o aval para destruírem o meio ambiente com produtos tóxicos, em busca de lucro, e quem paga a conta somos nós.