Até quando iremos tolerar a cultura do estupro?

Mulheres protestaram contra professor que incitou a cultura de estupro durante aula em faculdade de Belém

foto reprodução

Hoje amanhecemos com um vídeo perturbador viralizado nas redes sociais, daqueles que nos fazem questionar, até que ponto um homem se sente tão livre para praticar violência contra mulher? Uma aluna, um professor, ela aprendendo, ele ensinando, era o que deveria ser, mas na verdade, a única coisa que o vídeo mostrava era a violência que uma mulher pode sofrer até dentro de uma sala de aula.


A cultura de estupro é tão banalizada e enraizada em nossa sociedade ao ponto de um professor sentir-se à vontade em fazer apologia ao crime no meio de uma sala de aula. Foi isso que aconteceu em uma universidade em Belém, onde um docente de medicina indagou se ela não preferiria usar lubrificante ao ser estuprada.


De acordo com os alunos do curso de medicina, o vídeo em questão foi gravado no dia 17 de novembro, durante uma aula da disciplina de habilidades cirúrgicas, após o episódio os alunos comunicaram a coordenação da instituição, mas, nenhuma providência foi tomada, por isso, eles decidiram divulgar o vídeo nas mídias sociais.


As imagens foram rapidamente viralizadas nas redes sociais e causando revolta pelo conteúdo extremante perturbador, principalmente para nós mulheres. Por isso hoje 26, alunos do Centro Universitário, entidades políticas e movimentos sociais organizaram um grande protesto em frente ao local, reivindicando respostas e justiça pela fala repulsiva do professor.


O que o docente disse é fruto de um sistema opressor chamado patriarcado, que acredita na dominação do homem sobre a mulher, e objetifica os nossos corpos, além de compactuar e estimular esse tipo de prática, quando culpa a vítima pelo crime e não vê problemas nos assédios que as mulheres sofrem diariamente na rua, dando força e normalizando esse crime nojento.


após as manifestações, a Instituição por meio de nota se pronunciou e informou que o professor foi demitido da universidade. Logo após, a Universidade Federal do Pará divulgou que solicitou à Procuradoria Geral a análise das providências cabíveis no âmbito da UFPA e que repudia a atitude do discente.


A decisão é uma vitória, mas sabemos também que isso só aconteceu após repercussão na mídia, foi necessário o vídeo repercutir para aí sim a instituição tomar alguma decisão sobre o caso. E este é o reflexo puro de como o machismo e a violência contra a mulher é banalizado.


Basta de violar nossos corpos quando bem entenderem e saírem impunes e ilesos. Queremos justiça e vamos lutar por isso diariamente. Chega de nos calarem! Chega de nos inferiorizar! Nós somos muito mais do que o machismo opressor descreve.