Bairro do Jurunas: a influência indígena em Belém






Hoje, 9 de agosto, é o dia Internacional dos Povos Indígenas, criado em 1995 pela Organização das Nações Unidas (ONU), que marca a integração dos povos originários nos direitos humanos.


Apesar do avanço nesta data, vivemos no Brasil um processo de ataque marcado pela tentativa de acabar com nossas culturas, costumes e tradições, uma vez que tentam a todo custo nos tirar dos nossos territórios ancestrais.

Nesse dia, ressaltamos a influência indígena em Belém, especialmente no bairro do Jurunas, um dos mais antigos da capital paraense, batizado com o nome de uma etnia, o povo Juruna, que hoje está localizada no Mato Grosso, no Parque Nacional do Xingu, e na região de Altamira, no Pará.


O Jurunas é o retrato da ancestralidade e identidade indígena no espaço urbano belenense. É nesse bairro que vemos a manifestação étnica através dos nomes das ruas Apinagés, Tupinambás, Tamoios, Mundurucus, Timbiras, Tambes, Pariquis e Caripunas, entre outras ruas que carregam nome de povos que resistem até hoje.



A ancestralidade indígena é reconhecida por meio das diversas manifestações culturais, gastronômica e das práticas festivas que formam a chamada “identidade jurunense”, que se concretizou a partir das misturas de indígenas, negros e brancos.


Mas você sabia que existem muitos indígenas no Jurunas e em toda Belém? Sim, são muitos, mas você não vê, porque te ensinaram que indígenas são somente os que estão nas florestas, andam nus, de arco e flecha e não sabem falar português, mas isso é uma mentira plantada há tantos séculos e fruto da invisibilização que a colonização europeia deixou como herança.


Somos muitos indígenas em Belém, pertencentes a vários povos, e existem muitos de nós que não sabem sua própria história e por isso não se reconhecem indígenas, pode ser até você que está lendo esse panfleto.


Basta lembrar dos nossos avós e como eles carregam essa tradição indígena nos seus rostos, na cultura alimentar e em tantas outras manifestações que nos remetem às nossas raízes ancestrais.


É hora de assumir a face indígena do povo de Belém, que no passado, antes da invasão portuguesa, se chamava Mairi (aldeia velha) do nosso heroico povo tupinambá, dono desse território e que derramou o próprio sangue em defesa de nossa existência. Portanto, quem nasce em Belém é descendente direto de Tupinambá, falante da língua Tupi.


Hoje é dia de ter orgulho dessa identidade e assumir que o Jurunas e que toda Belém é Indígena.