Bolsonaro recusou oferta de 70 milhões de vacinas


Durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da covid, o gerente-geral da farmacêutica Pfizer da América Latina, Carlos Murilo, afirmou na manhã desta quinta-feira, 13, que o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, não respondeu as cinco ofertas realizadas pela empresa, recusando 70 milhões de doses de vacinas que poderiam ter acelerado o processo de imunização ainda em 2020, diminuindo o número expressivo de óbitos no Brasil, que ultrapassa a marca de 430 mil vidas perdidas pelo vírus. Segundo o representante da Pfizer, se o presidente tivesse respondido às propostas, o Brasil teria recebido 1,5 milhão de imunizantes ainda no ano de 2020.


A primeira oferta foi realizada em 14 agosto de 2020, quando a Pfizer ofertou 30 ou 70 milhões de doses da vacina para o governo, juntos os dois contratos estimavam a entrega de 500 mil doses em 2020 e 1,5 milhão no primeiro trimestre de 2021 e 5 milhões no segundo trimestre. Estima-se que se a negociação estivesse acontecido, o Brasil teria em média 4,5 milhões de doses a mais no mês de março deste ano.

A segunda proposta, em 18 de agosto, prometia 1,5 milhões de vacinas entregues em 2020, com um aumento no tempo de entrega, além de manter a opção do contrato oferecido na primeira proposta. Na terceira tentativa,26 de agosto, a Pfizer reforçou o contrato de 30 ou 70 milhões de doses de vacina, com a estimativa de entrega até o final de 2021, incluindo a proposta de 1,5 de vacinas, que seriam entregues em 2020. Nas duas propostas finais, que ocorreram nos dias 11 e 24 de novembro, a farmacêutica fez duas ofertas de 70 milhões, sendo 2,5 milhões para o primeiro trimestre de 2021 e 6,5 milhões para o segundo. No entanto, o Brasil não respondeu nenhuma das cinco propostas de vacina oferecidas pela indústria.

Carlos Murilo também falou da recusa do ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello, que alegou não ter aceitado as propostas por conta de termos contratuais, o que ocorreu sem nenhum tipo de intervenção em mais de 100 países que fecharam contratos de compra da vacina contra a covid-19. O gerente também confirmou a presença de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, em uma reunião de negociação com a Pfizer para compra da vacina, ocorrida em 7 de dezembro.

O descaso do governo levou a tristeza e a dor para os lares de muitas famílias, que hoje tomam conhecimento que se as propostas fossem analisadas, a vacinação teria começado em dezembro do ano passado, evitando a morte e o vazio deixado nas casas de algumas famílias brasileiras.


O negacionismo de Jair Bolsonaro e a sua cúpula, comprova o genocídio planejado contra a população brasileira. Cartas de ofertas foram enviadas ao Presidente da república, vice-presidente, Chefe da casa civil, Ministro da economia e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, no dia 12 de setembro de 2020, segundo informações do gerente da Pfizer, porém nenhuma medida foi tomada enquanto vidas foram perdidas.

A CPI aprovou o convite da médica Nise Yamaguchi, que visa esclarecer a discussão sobre a mudança da bula da cloroquina de que o remédio poderia ser utilizado no tratamento contra a covid-19. O que foi defendido pelo presidente, mesmo com a comprovação por meio de estudos científicos de que o medicamento não é eficaz no combater a doença.

A acusação de que o presidente não respondeu as ofertas de vacina, no mês de agosto de 2020, em que o Brasil receberia em dezembro do mesmo ano uma quantidade significativa de vacinas e a irresponsabilidade no incentivo do uso da cloroquina, coloca o governo do atual presidente em situações comprometedoras, onde o mesmo teria sido inegligente e omisso com a saúde e a vida de toda uma nação, levando o país para o atraso no processo de imunização contra a pandemia que devastou o mundo.

A CPI encerrou por volta das 16h00 e continuará na próxima terça-feira, 18, com o depoente Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores.