Começou em Belém o Fórum Mundial de Bioeconomia sem a participação dos povos da Amazônia


foto: Coiab Amazonia por @sikuptixerente

Belém sedia dois grandes eventos tendo como tema principal a Amazônia. O Primeiro é o fórum mundial de Bioeconomia, que acontece na Estação da Docas de 18 a 20 de outubro e conta com a participação de 73 Países patrocinado por marcas como: Hydro, JBS, Suzano, Agropalma, Cargill, muitas dessas responsáveis pela devastação da floresta e genocídios dos povos indígenas. Esse evento acontece originalmente na Europa e pela primeira vez acontece numa cidade da Amazônia. Em paralelo ao fórum começou hoje também 18, o Encontro Amazônico da Biodiversidade, no Hotel Beira Rio, com a participação de indígenas, extrativistas, quilombolas e organizações, como Fetagri, Coiab, Contag, e outros, o evento vai debater que é possível fazer girar a economia sem devastar, e manter a floresta em pé, como historicamente foi a economia dos povos originários.



foto: Coiab Amazonia

Na abertura do Fórum Mundial de Biodiversidade, houve protesto de indígenas, extrativistas, quilombola, instituições de proteção ao meio ambiente e os povos da Amazônia, pois não foram convidados para o evento, e denunciaram o valor alto dos ingressos, que está em torno de 700 a 900 reais. De acordo com Bruno Leão, coordenador da escola nacional de formação da Contag, o fórum apesar de ter como projeto que fale da diversidade de recursos naturais, aliada à utilização de novas tecnologias, na verdade é um evento excludente, que não tem em sua base a participação de fato dos povos da Amazônia. “como eu vou falar de biodiversidade, sem que eu coloque como representantes o povo da Amazônia? Como eu vou falar sobre um assunto como biodiversidade e como ela afeta a nossa vida, cobrando um ingresso de quase R$ 900? É um evento excludente” conclui Bruno. O ativista estava no protesto na estação das docas.


Fala de Alessandra Munduruku/ foto Reprodução

No ato feito dentro do evento em que acontecia o fórum, várias lideranças indígenas, extrativistas, quilombolas fizeram falas reivindicando seu espaço naquele lugar. As lideranças protestaram sobre a inclusão dos povos no debate sobre a bioeconomia. Dentre os presentes, a liderança Alessandra Munduruku falou sobre a presença de empresas que patrocinavam o evento serem as mesmas que destroem a Amazônia com o garimpo e desmatamento “Essas mineradoras que estão aqui que se chama Hydro que diz que apoia a floresta, mas que tá lá contaminando nossos peixes, que vão lá para a floresta contaminar o nosso povo, a Cargill que diz que protege a floresta tá lá aumentando o desmatamento dela pra plantar mais soja”. Na verdade, as empresas usam eventos como este para divulgar que tem “selo verde”, e assim vender sua imagem de empresa ambiental para o exterior, mas verdade é somente para mascarar as praticas criminosas e ilegais que causam na Amazônia, praticas essas que impactam não somente no meio ambiente, mas também os povos que vivem nela, como no caso das crianças Yanomamis, que foram dragadas e lançadas no rio por maquinário de garimpeiros.


Durante o ato a ativista e filha de Chico Mendes, Ângela Mendes, falou sobre a importância que as comunidades da Amazônia têm para a proteção das florestas “Há séculos, as comunidades indígenas, extrativistas, quilombolas, convivem harmoniosamente protegendo a floresta, e como é que essas populações não chamadas para serem ouvidas, como é que estão discutindo políticas públicas para Amazônia sem o público?”


intervenção de Ângela Mendes/ Foto Reprodução

assessor político da Coiab, Toya Manchineri/ Foto Reprodução

Outra fala importante foi do coordenador de territórios e recursos naturais da Coica e assessor político da Coiab, Toya Manchineri que disse “Nós entendemos que a bioeconomia só acontecerá de fato se respeitar o direito dos povos indígenas, se respeitar o direito à vida dos povos que vivem na floresta, que tem o conhecimento da floresta, pra nós bioeconomia é vida, nós não queremos participar de desenvolvimento que não incorpore da sabedoria do homem que ali vive, portanto antes de acontecer é necessário demarcar todos os territórios indígenas, é necessário demarcar mais unidades de conservação, para que possamos no futuro trabalhar a bioeconomia” disse Toya.


Por isso a necessidade de existir o evento do Encontro Amazônico da Biodiversidade, que conta com várias organizações como Fetagri, Contag, instituto Chico Mendes, Coiab e outros, além de indígenas, quilombolas e extrativistas para participar das discussões e irá reunir mais de 100 lideranças amazônicas.