Comunidade indígena de Roraima sofre com ação truculenta de policiais


Em ação, Polícia Militar atirou bombas de gás lacrimogêneo, usou spray de pimenta e atirou com arma de balas de borracha contra a comunidade da Ti Pium. Foto: comunidade da TI Pium

A tarde de ontem, 01, foi marcada pelo desespero e covardia, policiais chegaram na Terra Indigena Pium, região Tabaio, atacando os povos indígenas logo após a Vara da Comarca de Alto Alegre (RR) emitir a decisão favorável à reintegração de posse de um fazendeiro da região.


Os policiais chegaram na comunidade atirando contra os moradores da comunidade com bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e balas de borracha. As fotos e vídeos espalhados nas redes sociais é possível ver o desespero de homens, mulheres e crianças que correm para fugir das balas e dos tratores que derrubam suas casas. O sentimento é de angustia e raiva, ao ver a violência contra os nossos parentes.


De acordo com nota do Conselho Indígena de Roraima (CIR), “dois jovens ficaram feridos com balas de borracha, mesmo não havendo resistência por parte dos indígenas”. Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Norte I e do CIR, a situação continuou tensa durante a noite após o episódio.


No texto, o Poder Judiciário do Estado de Roraima autoriza, explicitamente, o “uso da força policial”. “O (A) MM. Juiz (a) de Direito da Vara Cível da Comarca de Alto Alegre manda ao Senhor Oficial de Justiça a quem este for apresentado que reintegre na posse do imóvel acima identificado o autor da presente ação, identificado na exordial (anexa). Desde logo, fica autorizado o uso da força policial”, diz o texto da decisão.


Segundo informações do Cimi Regional Norte I, a juíza responsável por esse caso atuou em processo parecido contra a mesma comunidade, mas o autor era outro fazendeiro. Na ocasião, a juíza declinou a competência da Justiça Estadual e o processo seguiu para a Justiça Federal. A expectativa era de que fosse adotada a mesma decisão nesse episódio mais recente.


O fazendeiro da região esteve anteriormente a decisão na comunidade tentando acuar os indígenas, afirmando que iria levantar cercas em uma área do território. O que aconteceu na comunidade é fruto da herança colonizadora deste país, de mandantes do dinheiro e do poder. E seguimos sendo alvo da truculência de um estado que insiste em nos matar.