Cop26: Txai Suruí fez discurso emocionante em inglês


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O nome dela ganhou dimensão internacional desde a última segunda-feira (1º). Indígena, jovem e única brasileira a discursar na abertura da Conferência da Cúpula do Clima (COP26), Walelasoetxeige Suruí, mais conhecida como Txai Suruí, ficou diante de uma audiência de mais de 120 chefes de estados e principais lideranças ambientais do planeta e falou sobre o avanço da mudança climática na Amazônia.


O discurso de Txai Surui impressionou pela franqueza ao falar e pelo conhecimento de causa que a jovem ativista carrega. A jovem liderança indígena surge em um momento que os povos indígenas seguem sendo ameaçados no seu direito de possuir a terra.


Sua fala trouxe à tona para o mundo a urgência sobre soluções para as mudanças climáticas. “vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora!”.


Txai carrega a luta em suas veias, filha do Guerreiro Almir Surui, um herói dos povos indígenas que vive na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia. É hoje reconhecido internacionalmente por ter tido a coragem de denunciar à Organização dos Estados Americanos (OEA), a exploração ilegal de madeira nas terras indígenas, por defender os direitos e a integridade dos Índios Isolados e por lutar contra as hidrelétricas do rio Madeira que vão afetar Terras Indígenas.


Diferente de toda a força e luta que a jovem Txai demonstrou em sua fala na cop26, Bolsonaro e seu clã tiveram atuações contrarias para representação do país no maior evento climático do mundo.


O evento não contou com a presença do presidente Bolsonaro, por isso mandou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que apresentou uma nova meta climática, com redução de 50% das emissões de gases do efeito estufa até 2030. Contudo, Leite não apresentou o número real dessa nova redução prometida. É a terceira vez que o Brasil refaz a meta climática em menos de um ano, mostrando sempre um projeto de mentiras e mesmices, e não trazem de fato resoluções concretas para as mudanças climáticas.


A cúpula do clima reuniu lideranças de mais de cem países entre os dias 31/10 e 12/11 em torno de debates sobre os novos compromissos para garantir a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura média da Terra em 1,5°C.


O Brasil é considerado crucial nos esforços globais para evitar uma catástrofe climática no planeta. Por isso, a decisão de Bolsonaro não ir à COP26 gerou críticas de outros países e de organizações ambientais.


Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a destruição da Amazônia somou 10.129 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, ultrapassando a marca de 10 mil km² pela primeira vez desde 2008. Já no ano seguinte, o desmatamento teve nova alta, de 9,5%, para 11.088 km².


Dados do Observatório do Clima, organização que calcula anualmente as emissões de gases do efeito estufa no território brasileiro, apontam que o desmatamento da Amazônia durante o governo Bolsonaro subiu em média 60% a mais do que na década passada.


A organização estima que o desmatamento e o uso do solo para pecuária correspondem a cerca de 80% das emissões do Brasil, colocando o país como o quarto maior emissor do mundo.


E, na contramão do mundo, o Brasil teve um aumento de 9,5% nas emissões de gases poluentes em 2020, ante uma redução de 7% na média global (por causa da paralisação de voos, indústrias e serviços na pandemia).


Durante a COP26, serão negociados compromissos ambientais em pelo menos quatro áreas: proteção de florestas, financiamento de países ricos a nações em desenvolvimento, transição para carro elétrico e eliminação do uso de combustíveis fósseis.


Os dois primeiros, por exemplo, estão ligados aos pilares da participação brasileira na COP26. São pelo menos cinco, segundo reportagem da BBC News Brasil:


· recuperar a credibilidade do país com mudanças na política ambiental;

· garantir uma parcela significativa dos US$ 100 bilhões (R$ 560 bilhões) anuais que os países ricos preveem para financiar o impacto climático em nações pobres;

· evitar que nações desenvolvidas criem punições a quem não seguir regras estabelecidas por elas (como metas de emissão para setores específicos da economia, entre eles a agropecuária);

· regular finalmente o mercado de crédito de carbono, que permitiria a países que não atingem as metas comprem o "crédito" de outras nações que estão em dia com seus compromissos.


A principal cobrança do Brasil na COP26 será que países ricos definam regras claras para pagar os US$100 bilhões por ano prometidos a nações em desenvolvimento para projetos relacionados à contenção das mudanças climáticas. Para o Brasil, o governo quer ao menos US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões) em financiamento externo.