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Crime: Senador Zequinha Marinho mobiliza população contra fiscalização do Ibama



Que o Zequinha Marinho e sua laia são aliados ao garimpo ilegal isso todo mundo já sabe, durante o governo Bolsonaro, desde o início de seu mandato, Zequinha se consolidou como o “porta-voz do setor de mineração no Senado” e o “principal mediador entre grupos de garimpeiros e a Presidência. Agora com a queda de Bolsonaro, e com as fiscalizações que ocorrem na área desde a eleição do presidente Lula, Zequinha convoca pela milicia do whatsapp os chamados “população de bem” para uma reunião em favor daqueles que são afetados com ‘esse negócio de fiscalização, do Ibama, esse pessoal que tão tocando o terror nas regiões’.


Segundo áudios como chamariz para o evento, as gravações citam a participação do senador Zequinha Marinho (PL-PA), do deputado Federal Caveira (PL-PA) e do deputado estadual Toni Cunha. Um dos áudios em que a ‘audiência pública’ é anunciada alega que o ‘pessoal da fiscalização’ está ‘tocando o terror’ nas regiões.


O contexto da mobilização é a Operação Curupira, anunciada pelo governo do Pará no último dia 15. A ofensiva tem base permanente — uma unidade que foi instalada entre os municípios de São Félix e Altamira, na Área de Preservação Ambiental Triunfo do Xingu. Até sexta-feira, os agentes haviam apreendido de 35 gados e um trator escavador. Segundo o governo do Pará, a ofensiva visa combater desmatamento ilegal, exploração ilegal de recursos naturais, degradação ambiental e incêndios florestais. A ação ainda tem previsão de ser estendida para os municípios de Uruará e Novo Progresso, com a implantação de mais duas novas bases fixas. As fiscalizações são executadas por agentes das polícias Militar, Civil e Científica, do Corpo de Bombeiros Militar, além de servidores das secretarias de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, da Fazenda e da Agência de Defesa Agropecuária do Pará.


Não é de hoje que o Zequinha articula e mobiliza em prol do garimpo na Amazônia, segundo reportagem feita pelo site Publique-se, durante o ano de 2019, houve ao menos 11 encontros de garimpeiros ilegais com integrantes do alto escalão do governo entre aquele ano e o seguinte articulados pelo senador, e eles continuaram depois. Uma dessas reuniões, que teve a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, aconteceu cinco dias antes de uma audiência pública em Altamira. O superintendente do Ibama à época, indicado pelo senador, disse, sob o olhar de Zequinha, que acompanhava pessoalmente o encontro, que o órgão iria parar de queimar maquinários porque “quem gosta de fogo é Satanás”.


Tu sabes quem é Zequinha Marinho?




Zequinha é um senhor de baixa estatura que está na vida pública desde os anos 1990. Antes, ele era gerente do Banco da Amazônia e pastor evangélico. No Pará, chegou a ser vice-governador durante a gestão de Simão Jatene, que foi três vezes governador do estado, mesmo envolto em várias denúncias de corrupção. Mas foi apenas em 2018 que ele alcançou projeção nacional, sendo eleito na onda bolsonarista.

Dono de uma voz potente, que aprendeu a modular como líder da Assembleia de Deus, Zequinha nasceu em Araguacema, pequena cidade do Tocantins, e começou a carreira em Conceição do Araguaia, já no Pará, como comerciante e técnico contábil. Está sempre vestido com camisas bem passadas, mesmo quando vai a lugares ermos para falar com eleitores gestos controlados e a fala, com pausas calculadas, fazem passar a imagem de um perfil mais técnico do que político.


O trabalho no banco e as pregações na igreja logo o colocaram em contato com poderosos da região. Em 1994, ele se lançou direto ao cargo de deputado estadual pelo PDT. Conquistou a vaga de suplente e mais tarde foi efetivado no cargo.

Depois, Zequinha se reelegeu como deputado estadual e, em 2002, foi eleito na Câmara Federal ainda pelo PDT. Em seguida, passou por vários partidos. Teve uma breve passagem pelo MDB, mas retornou ao PSC até acompanhar o presidente Bolsonaro na migração ao PL.


Bem relacionado, o político atuou nos bastidores e às vezes de modo escancarado para favorecer os ocupantes de terras indígenas, em especial de Ituna Itatá. O caminho para deixar engatilhada a liberação de exploração econômica no local deixou várias baixas.

Um dos posseiros que lucra com a invasão de Ituna Itatá é o empresário Jassônio Costa Leite, conhecido como o maior grileiro de terras indígenas da Amazônia e recentemente multado pelo Ibama em R$ 105 milhões. Segundo o órgão, Leite lidera um grupo que invade áreas restritas, faz o seu loteamento e vende os terrenos.


Jassônio é amigo de Zequinha. No ano passado, após ter sido alvo de uma operação de combate a desmatamento, o empresário pediu ajuda ao senador. Em resposta, Zequinha gravou um vídeo ao lado dele e sua filha dizendo que iria acionar o governador do Pará para interromper a ação – e aproveitou para chamar servidores do Ibama de “malandros”. Poucos dias depois, o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles exonerou os diretores de fiscalização do órgão.


Segundo relatório do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados (OPI), a entrada de Zequinha na disputa pelo território “tornou claro que esses interesses iam muito além do poder econômico local [indústria madeireira]”.


O senador conseguiu que a própria Funai passasse a questionar a existência dos indígenas isolados de Ituna Itatá, que ela mesma havia identificado há 40 anos. A última expedição com esse objetivo, no ano passado, encontrou restos de cerâmica e de hortas abertas no mato, o que mostra que eles continuam no local.


Apesar de nunca ter trabalhado diretamente com garimpo, Zequinha é próximo de empresários e mineradores do sul do Pará e é reconhecido por eles como um representante no governo federal. Um deles é o vereador de Redenção Pedro Lima, que era seu colega de partido.

A mineradora de Lima possui cinco lavras de pesquisa mineral para explorar ouro e manganês registradas na Agência Nacional de Mineração. Ele conseguiu em maio de 2021 a homologação de uma delas, na cidade de Xinguara. Pouco antes, o vereador liderou uma equipe de garimpeiros que visitou o gabinete do senador.

1 Comment


nilsonvieira.srm
Feb 25, 2023

Como sugestão, não fale sobre incêndios florestais. Embora não seja muito comum na Amazônia, incêndios florestais podem ter causas naturais. O que esses criminosos fazem é desmatamento e queimadas ilegais!

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