Denúncias de assédio sexuais que vem derrubando alto escalão do poder



A queda de um homem que está no mais alto escalão da Confederação Brasileira de Futebol é uma resposta para nós mulheres que passamos por esse tipo de abuso frequentemente em locais de trabalho, andando nas ruas, em espaços públicos, ou seja, em qualquer lugar, somos suscetíveis a ataques de homens a nossa integridade, moral e honra. O Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afastou Rogério Caboclo da presidência da entidade. A suspensão, aconteceu no final da tarde deste domingo, tem duração de 30 dias e ocorre após uma funcionária da CBF acusá-lo de assédio sexual e moral. A funcionária da CBF apresentou denúncia contra o presidente da entidade, Rogério Caboclo, que enquanto trabalhava como cerimonialista, a funcionária detalhou os constrangimentos causados pelo mandatário. Os abusos teriam começado em abril do ano passado. Ela afirma que alguns constrangimentos também aconteceram diante de diretores da CBF. Alguns casos conhecidos de abuso sexual:

Caso Neymar: após denúncias, o jogador de futebol Neymar teve o contrato com a Nike encerrado porque o craque brasileiro se recusou a colaborar em uma investigação interna da marca, após uma funcionária tê-lo acusado de assédio sexual. Sempre tentam silenciar nossa voz, em qualquer lugar do mundo, mas os movimentos são cada vez mais fortes para que essas denúncias sejam ouvidas. Caso Victor Sorrentino: este caso ganhou repercussão após o brasileiro postar em sua conta no Instagram um vídeo em que pergunta a uma vendedora local em português: "Elas gostam é do bem duro. Comprido também fica legal, né?". No que a mulher sorri sem graça ao não entender o que o médico dizia. A resposta para o ocorrido veio rápido e o influencer foi detido no dia 30 de maio, no Cairo. A prisão foi fruto de um movimento iniciado por brasileiros e expandido por ativistas feministas egípcias. Essa articulação fez com que as ofensas verbais contra a vendedora de papiros chegassem às autoridades do país, que agora o acusam formalmente e estenderam a sua prisão. Caso Harvey Weintein: Eu acredito que um dos maiores casos que já ocasionou a queda de um homem em um cargo de poder por denúncias sexuais, foi a do produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein. O produtor foi sentenciado por um juiz de Nova York a 23 anos de prisão, depois de ser considerado culpado por duas das cinco acusações de má conduta sexual às quais respondia na Justiça americana. Após as denúncias e o produtor foi expulso da Academia de Artes e Ciência cinematográficas, Oscar, Ele também foi demitido da Weinstein Company, empresa que ele e seu irmão fundaram em 2005 após deixar a Miramax. E o escândalo ainda atingiu fortemente a empresa, que pediu falência em março de 2018. Caso Marcius Melhen: Aqui no Brasil tivemos uma história parecida com a do produtor norte-americano. Marcius Melhem, ator e humorista da Tv Globo, assediou sexualmente a atriz Dani Calabresa. Na denúncia Melhem teria tentado beijá-la à força em um palco, mas ela se desvencilhou. Não satisfeito, ele a abordou na saída do banheiro, mais uma vez na tentativa de beijar a artista. Após denúncia da atriz Dani Calabresa contra o humorista Marcius Melhem, mais de 40 pessoas também denunciaram o ator por assédio moral e sexual. Logo após as denúncias, o ator e humorista teve seu contrato encerrado com e TV Globo, onde trabalhava como diretor no departamento de Humor da emissora. Segundo Pesquisa Nacional da Saúde, publicada em maio de 2021, mostra que 7,5 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de violência sexual na vida. Dados revelam que 60% das vítimas tiveram consequências psicológicas, como depressão e ansiedade, em decorrência da agressão. Se a gente colocar isso no âmbito do trabalho, quase metade das mulheres já sofreu algum assédio sexual no trabalho, segundo pesquisa do LinkedIn e da consultoria de inovação social Think Eva, Entre elas, 15% pediram demissão do trabalho após o assédio. E apenas 5% delas recorrem ao RH das empresas para reportar o caso. Hoje vemos que as denúncias contra esses assédios estão surtindo efeitos reais, e pessoas que ocupam cargos mais altos estão de fato tendo consequências de seus atos, e isso nos dá forças para continuar lutando por um lugar mais seguro para nós.

Tu sabes como procurar ajuda? Mulheres que passaram ou estejam passando por situação de violência, seja física, psicológica ou sexual, podem ligar para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher. O atendimento funciona em todo o país 24 horas por dia e a ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo Whatsapp no número (61) 99656-5008. Vítimas de estupro podem buscar os hospitais de referência em atendimento para violência sexual, para tomar medicação de prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente.