Elisa Loncón, da etinia Mapuche, é eleita presidenta da Assembleia Constituinte do Chile



A mudança vai vir pelas mãos das mulheres. A professora, mulher, indígena, mapuche Elisa Loncón foi eleita neste domingo (4) como presidenta da Assembleia Constituinte do Chile e será a responsável por conduzir os trabalhos da entidade responsável por enterrar a constituição da ditadura do general Augusto Pinochet.


Loncón foi eleita no pleito de 14 e 15 de maio como uma das ocupantes das 17 cadeiras reservadas aos povos indígenas na assembleia – sendo 7 apenas para os mapuche.


Pesquisadora e docente na Universidade de Santiago do Chile, Elisa fez parte de um pleito histórico no país, que elegeu mais mulheres do que homens e que, pela primeira vez, teve cotas para indígenas. Ela irá compor um grupo de sete representantes dos Mapuche, etnia majoritária no país, com 1,7 milhão de pessoas.


“Este sonho é um sonho dos nossos antepassados. Este sonho torna-se realidade. É possível reencontrar este Chile. Estabelecer uma nova relação”, declarou a nova presidenta.



O chile viveu uma grande revolta social em 2019, quando vários setores sociais saíram às ruas da capital, Santiago, por não suportarem mais os níveis de abuso da elite política e do modelo econômico neoliberal, que também é evidentemente patriarcal. Uma das frentes mais fortes na época eram mobilizados por mulheres, onde ganhou força com a expressão artística nas ruas denunciando o patriarcado com a performace “El violador eres tú” (o estuprador é você).


“Quando emerge o movimento feminino na sociedade chilena, emerge também o pensamento da mulher mapuche, que vai além da condição de gênero, porque está articulado com a defesa da natureza. Necessitamos instalar uma nova relação com a natureza", afirma