Estudo sobre avanço da ocupação de mineradoras confirmam as denuncias feitas pelos povos indígenas



Aqui no Brasil a área ocupada por mineração saltou de 31 mil hectares em 1985 para 206 mil hectares em 2020, isso quer dizer um aumento de mais de 564% ou seis vezes mais que o tamanho de 35 anos atrás. A pesquisa feita pela Organização MapBiomas mostrou os resultados considerados alarmantes para a destruição que essa prática trás para além dos impactos ambientais causados, também a grande invasão dos territórios indígenas.


O estudo mostra também que em terras indígenas, a área ocupada pelo garimpo cresceu 495% entre 2010 e 2020. A quase totalidade, ou 93,7%, do garimpo do Brasil está na Amazônia. No caso da mineração industrial, o bioma responde por praticamente a metade (49,2%) da área ocupada pela atividade.


As terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima, são os três territórios indígenas mais afetados pelo garimpo, segundo o MapBiomas.


O levantamento alerta que o crescimento do garimpo se dá, principalmente, em áreas protegidas e de conservação ambiental: em 2020, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou terras indígenas (9,3%).


O Pará também concentra oito das dez unidades de conservação com maior atividade garimpeira do país, sendo as três maiores: a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (34.740 ha), a Flona do Amaná (4.150 ha) e o Parna do Rio Novo (1.752 ha).


Os dados revelam que o garimpo no Brasil se concentra principalmente entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso, nas cidades de Itaituba, Jacareacanga e Peixoto de Azevedo.


Em Jacareacanga inclusive foi registrado um dos maiores ataques ao Povo Munduruku. Em março deste ano, os Mundurku foram atacados por garimpeiros fortemente armados tentaram adentrar ilegalmente a bacia do rio Tapajós, no interior da TI Munduruku – até então livre da exploração mineral. Escoltados por helicópteros, eles transportavam maquinário pesado até o igarapé Baunilha: porta da bacia do Cururu. Foram, contudo, impedidos por guerreiros, guerreiras e caciques de seguir caminho; e após dias de tensão no interior da Terra Indígena (TI), atacaram a sede das organizações Munduruku que se opõem à mineração ilegal, depredando-a e queimando documentos.

Em julho também deste ano, o povo Yanomami foram atacados por garimpeiros que invadiram suas terras. A comunidade Palimiú viveu dias de terror, com o ataque de homens armados vindo do rio em 12 embarcações para atentar contra a vida dos indígenas. cerca de 20 mil garimpeiros estão em terras Yanomamis, o que tem aumentado os ataques contra a vida dos povos originários, que vivem uma luta diária pelo direito à vida.


Esses estudos só confirmam uma realidade que sempre denunciamos, a invasão de garimpeiros e mineradoras e sua destruição.