Ex-diretor do Ministério da Saúde é preso na CPI da Covid sob acusação de mentir em depoimento



Os crimes cometidos no governo de Jair Bolsonaro aos poucos estão sendo desmascarados. Ontem (07), o presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), ordenou a prisão do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, acusado de mentir em depoimento à comissão.


Dias se tornou o primeiro depoente a ser preso após falar à CPI. O ex-servidor foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra de vacina AstraZeneca, via intermediários, pelo Governo federal. O ex-diretor nega a acusação.


O estopim da irritação do presidente da CPI foi a insistência de Dias em dizer que havia tido um encontro acidental em um restaurante de Brasília com o policial Luiz Dominguetti, que se dizia vendedor de vacinas, em 25 de fevereiro desde ano.


Mensagens em áudio do celular de Dominguetti, que foi apreendido pela CPI, no entanto, mostram que dois dias antes do encontro, em 23 de fevereiro, o policial já falava da reunião com Dias. Os parlamentares também tentaram esclarecer também o suposto envolvimento do ex-diretor em irregularidades na compra de outro imunizante: o indiano Covaxin.


Não foi o único marco do dia. Em seu depoimento, Roberto Ferreira Dias passou boa parte do tempo dizendo que, se havia alguma responsabilidade, não era dele, mas, sim, de servidores de origem militar lotados no Ministério da Saúde, um fenômeno que ganhou escala quando o general da ativa Eduardo Pazuello comandou a pasta.


Roberto Ferreira Dias pagou fiança de R$ 1,1 mil e foi liberado na noite desta quarta-feira (7) das dependências da Polícia Legislativa, onde estava preso.