Fim da CPI da COVID: Bolsonaro é indiciado por crime contra humanidade



O presidente Jair Bolsonaro cometeu crime contra a humanidade durante a pandemia da covid-19. Essa é a leitura do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que vai chegando ao fim após uma maratona de quase 70 reuniões percorridas para descobrir os responsáveis pelas mais de 600.000 mortes provocadas pelo coronavírus no Brasil. De acordo com o relatório produzido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), Jair Bolsonaro (sem partido), conseguiu a façanha de ser o primeiro presidente da república a ser denunciado em uma CPI.


O relatório de mais de mil páginas concluiu que “ao adotar e insistir no tratamento precoce como praticamente a única política de governo para o combate à pandemia, Jair Bolsonaro colaborou fortemente para a propagação da Covid-19 em território brasileiro e, assim, mostrou-se o responsável principal pelos erros cometidos pelo Governo Federal durante a pandemia", diz o texto, que cita o nome de Bolsonaro mais de 80 vezes.


O relator pede 72 indiciamentos de 70 pessoas e duas empresas por 24 crimes, e seu principal alvo é o presidente Bolsonaro.


O presidente teria cometido 11 crimes, que vão desde charlatanismo “inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível” até homicídio qualificado por omissão no combate ao coronavírus e genocídio de indígenas, pela “intenção de submeter esse grupo específico da população ao risco de contágio”. Essas duas acusações mais graves não eram consenso entre os parlamentares que participaram da investigação e, durante reunião na noite desta terça-feira, foram retiradas do relatório a avaliação é de que esses dois crimes estão contemplados na tipificação do crime contra a humanidade e no de epidemia, respectivamente.


Apesar de o presidente Bolsonaro não ter produzido o vírus da covid-19, ele como chefe da nação contribuiu em muito pra chegar a esse número lastimável de brasileiros mortos durante a pandemia.


O presidente da República disse em vários momentos: "Eu tomei! Eu tomei a cloroquina e, no meu caso, resolveu e curou. É 100% de eficácia". Na medida em que ele falava isso e repetia, fazia questão de deixar suas digitais. Ele repetiu isso até na ONU. Bolsonaro precisa ser responsabilizado e o relatório final mostra claramente que ele precisa ser punido por seus atos irresponsáveis.


Ainda que o relatório final apresentado por Renan Calheiros esteja recheado de provas fartas contra a maneira desastrosa que o presidente Bolsonaro conduziu o país durante a pandemia, não se tem certeza que ele será mesmo investigado e punidos por seus crimes. O texto ainda passará por analise no plenário da Câmara, que tem como presidente um aliado de Bolsonaro, Arthur Lira (PP- AL), para depois ir para o Ministério Público Federal (MPF), onde o procurador geral da republica Augusto Aras que por lei seria o responsável por denunciar o presidente, já deixou claro diversas vezes que não pretende incomodar o Bolsonaro.