Funai proíbe assistência médica aos Yanomami



Mais uma vez a Fundação Nacional do Índio (Funai), demonstra que não está ao lado dos povos originários. Há tempos denunciamos que o órgão na verdade trabalha para aqueles que querem nos ver mortos. A prova disto é a nova medida do que a Funai tomou, ao proibir que uma equipe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrasse na Terra Yanomami, para prestar assistência de saúde aos indígenas que estão sofrendo com o grave surto de malária, desnutrição, falta de medicamentos, tudo isso por causa do abandono do governo.


Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, deste domingo ,21, o vice-presidente da Hutukara, principal associação que presenta o povo Yanomami, Dário Kopenawa, criticou a posição da Funai. No último domingo, o programa mostrou, com exclusividade, cenas do colapso na saúde dentro a reserva.


A justificativa pífia da Funai a sua negativa, é "pesquisas e ingressos em terras indígenas estão provisoriamente suspensos, devido ao surto da Covid-19". Para o órgão, é preferível ver nosso povo morrer nas mãos da ineficiência do governo. A mesma mão que assina os papeis que dão autorização para empresas de mineração adentrarem em nossas Terras.


Segundo o médico e especialista em saúde indígena em entrevista para o Fantástico, apontou que oito em cada dez crianças menores de 5 anos têm desnutrição crônica na Terra Yanomami. A pesquisa, divulgada no ano passado, foi feita nas regiões de Auaris e Maturacá e teve o apoio do Unicef (braço da Organização das Nações Unidas para a infância).


Durante esta semana, o Ministério Público Federal (MPF) cobrou da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Mistério da Saúde, um plano de reestruturação da assistência básica que possa reverter o atual cenário da saúde Yanomami e auditoria na contas do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) e da própria Sesai para identificar como o dinheiro está sendo usado.


A equipe, formada por profissionais de diversas áreas, também faria um estudo sobre o impacto do garimpo na reserva, que é maior do país e, nos últimos anos, enfrenta o avanço da mineração ilegal do ouro. A ideia era tender ao menos 1.200 yanomami.


Esse plano deve prever reforço no quadro de funcionários que atuam dentro da reserva, além de logística aérea adequada para atender as comunidades.


Com mais de 370 aldeias e quase 10 milhões de hectares que se estendem por Roraima, fronteira com a Venezuela, e o Amazonas, a Terra Yanomami é a maior do país em extensão territorial.


Ao todo, são 28 mil indígenas que vivem isolados geograficamente em comunidades de difícil acesso. Estima-se que há 20 mil garimpeiros ilegais explorando a reserva.