Guerreiras da Ancestralidade: 2º Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília





Está chegando a 2º Marcha das Mulheres Indígenas, que acontecerá entre os dias 7 e 11 de setembro, com o tema: “mulheres originárias reflorestando mentes para a cura da terra”. Dentro de cada corpo, cada ancestralidade, vamos seguir em marcha para Brasília afim de lutar pelos nossos direitos. Uniremos nosso grito guerreiro para fazer ecoar por todo Brasil quem somos, as verdadeiras donas deste lugar. E assim como na primeira marcha, nesta eu também estarei lá, como uma originária deste país.

A Marcha das Mulheres Indígenas é uma conquista histórica de muitas parentes que pertencem a diversos povos, que lutam diariamente a fim de dar visibilidade e voz para suas causas. Em 2019 foi a realizada a primeira Marcha, com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito” e mais de 2 mil parentas de 113 povos estiveram presentes.


Brasília tem sido nosso campo de batalha diário, nosso palco, para tentar mostrar a todos desse país e ao mundo o que está acontecendo com o nosso povo. Estamos perdendo nosso território, estamos perdendo nossos anciãos para a covid-19, estão tentando roubar nossas conquistas, e por isso nós vamos à luta.


Vários dos nossos estão na Capital Federal, em luta por nossas vidas. Mais de 6 mil indígenas, de 173 povos de todo o Brasil, estiveram acampados em Brasília, para acompanhar de perto o desfecho do julgamento do Marco Temporal, marcado para acontecer hoje, depois de ser diversas vezes adiado. O recorde de parentes e números de povos mobilizados em Brasília se converte em um recado para o mundo, e principalmente, para aquelas forças que insistem em tentar nos violentar: não nos calaremos!



A Marcha das Mulheres chega para trazer mais vozes a nossa luta. Para nós, mulheres Indígenas, nós também somos a terra, pois a terra se faz em nós. Pela força do canto nos conectamos por todos os cantos, se faz presente os encantos, que são nossas ancestrais. A terra é irmã, é filha, é tia, é mãe, é avó, é útero, é alimento é a cura do mundo.


A colonização tentou apagar nosso sagrado feminino, mas a mulher indígena carrega dentro de si os conhecimentos que será passado para cada geração, nossos saberes, nossos valores, nossas histórias sempre estarão presentes dento de cada um dos nosso.