Incêndios no Pantanal alcançam ritmo alarmante



No terceiro ano seguido de seca e sob o impacto de fortes geadas, o Pantanal já registra o mesmo patamar de área destruída pelo fogo no mesmo período do ano passado, quando sofreu o pior desastre ambiental da história.


Desde o início do ano até sábado (21), a maior planície alagável do mundo já havia perdido 261.800 hectares para o fogo, o equivalente a dois municípios do Rio de Janeiro. É praticamente a mesma área queimada durante o mesmo período do ano passado (265.300 hectares).


Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


A aceleração das queimadas ocorre a poucos dias de setembro, historicamente o mês com mais focos de incêndio.


Segundo coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), neste ano, o Pantanal secou mais do que o ano passado. Diferentemente de 2020, quando os grandes incêndios se alastraram primeiro pelo Pantanal de Mato Grosso, neste ano a região mais crítica é o sul do Pantanal de Mato Grosso do Sul.


Neste domingo (22), o fogo chegou bem próximo da área urbana de Bela Vista (317 km de Campo Grande), cidade fronteiriça com o Paraguai, origem do fogo.

Não muito longe dali, um forte incêndio na Terra Indígena (TI) Kadiweu mobilizou 50 brigadistas do Prevfogo de MS, a maioria indígena. Até sábado, 18% do território já havia sido devastado pelo fogo.


Após a tragédia do ano passado, quando cerca de um terço do Pantanal foi devastado, as chuvas não foram suficientes para recuperar rios e inundar as baías e os corixos.

Em 20 de agosto, o rio Paraguai, o mais importante do Pantanal, atingiu 0,44 metro em Cáceres (MT), o nível mais baixo registrado no local. No mesmo dia de 2020, era de 0,70 metro. O nível médio para o período é 1,49 metro.


Como não tem ajuda eficaz do Governo Federal, nas últimas semanas, uma iniciativa financiada por doações de pessoas físicas formou dezenas de brigadistas no Pantanal com a estratégia de agilizar o combate ao fogo.