Indígenas estão sob vigilância armada após ‘acordo’ autorizado pelo STF



Obrigados a abrir a golpes de faca um pedaço da floresta do Médio Xingu e ainda sob a mira de homens armados, dezenas de indígenas parakanã estavam trabalhando sob essas condições há cerca de um mês, por conta de uma decisão em forma de ‘conciliação’, realizada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes. Nesta “conciliação, foi autorizado a invasão de fazendeiros para que apossassem de 392 mil hectares da terra indígena Apyterewa, homologada pela Presidência da República em 2007.


Os parakanã estão sob ameaça de morte, afinal, estão trabalhando contra a própria vontade, e a favor de grandes fazendeiros, que estão financiando milhões para que os indígenas tracem um limite e que o garimpo ilegal desfrute da nova propriedade.


Rubens Valente, divulgou em sua coluna para o UOL, em dezembro do ano passado, que um grupo de caciques havia concordado em reduzir a área indígena em 50,7%, dos 773 mil hectares demarcados há 15 anos. Porém, a informação que foi dada, seria de que muitos indígenas não concordaram com a conciliação, ocasionando contestação principalmente das mulheres.


Para convencer os indígenas sobre essa “nova divisa”, denominada Picadão, que separaria os indígenas dos não indígenas, fazendeiros promoveram uma reunião com as lideranças parakanã, na aldeia Raio de Sol, ali eles articularam e argumentaram que o acordo seria benéfico para o povo, e ainda prometeram pagar pelo trabalho dos indígenas, recebendo diárias no valor de R$250, as informações foram dadas sob a condição de anonimato, ao jornal Folha de São Paulo.


No total, 150 indígenas trabalharam no picadão, é desumano pensar que em plena pandemia esse povo teve que trabalhar, estando na mira das armas longas, de jagunços, como se não bastasse, os parakanã ainda precisam conviver com a pressão realizada pelos invasores ao governo, para que a terra indígena fosse reduzida, e assim o garimpo ilegal pudesse ser exercido de forma plena a área.


Em situação de trabalho degradantes, análogo a escravidão, os indígenas não tinham comida suficiente a disposição e eram obrigados a trabalhar por horas sem tempo de descanso. Com relação a diária que havia sido prometida pelos invasores, o valor pago aos parakanã foi inferior, saindo de R$250 para R$70.


Extremamente cansados e esgotados, muitos indígenas desistiram, porém, tiveram que enfrentar um outro desafio pela frente, com a falta de transporte no local, os Parakanã tiveram que percorrer mais de 70 Km a pé.


Em tese, dia 14 de dezembro, duas semanas após o acordo de redução, o ministro Gilmar Mendes encerrou as ‘tentativas de conciliação’, mas este encerramento aconteceu apenas na “teoria”, pois na prática as coisas não aconteceram assim, mesmo que judicialmente a abertura do picadão tenha sido suspensa, há relatos de inúmeros parakanã, alegando que continuaram sendo coagidos pelos invasores a trabalhar em prol da desapropriação de uma comunidade inteira de parakanã, segundo matéria divulgada na Folha de São Paulo.


Ao serem questionados pelo jornal, sobre os motivos que fizeram com que eles acordassem em dividir as terras, eles ressaltaram que com toda a pressão que receberam dos invasores tiveram que ceder, e dizem que receberam muitas críticas, e alegaram que nunca venderam suas terras, mas que fizeram o picadão para ver se não invadem mais as terras, para que os fazendeiros não chegassem aos locais em que a população estava. “A gente não vendeu a terra. A gente fez só o picadão para ver se não invadem mais a terra para não chegar às nossas aldeias”, afirmou, Mamá Parakanã, um dos caciques que assinaram o acordo.


Além de toda essa dificuldade para proteger suas terras, os indígenas sofrem com o garimpo ilegal na área, que está cada vez mais intensificado e ganhando o poder do governo Bolsonaro.