Indígenas querem presidente da Funai fora do cargo

O órgão recebeu os povos indígenas com ataques de bombas e spray de pimenta na última quarta-feira,16

Foto: Juan Diaz

Criada para proteger e promover os direitos dos povos indígenas, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), tem se mostrado uma aliada de fachada aos originários, indo contra a missão que apenas serve para agregar textos mentirosos, que nada condizem com a realidade, o órgão recebeu de forma um tanto que violenta os mais de 800 indígenas que se dirigiram na tarde de quarta-feira,16, ao local em que a instituição está localizada, em Brasília, a recepção foi por meio de bomba de gás lacrimogêneo, efeito moral e spray de pimenta. Os policiais bloquearam a entrada do lugar e impediram que os manifestantes se expressassem por meio de carro som, atacando escrupulosamente a comunidade insigne ali presente. Sem ao menos conversar ou tentar um acordo para que uma reunião fosse possível com quem o presidente da Funai, Marcelo Xavier.


Mediante tantos ataques aos direitos indigenistas, fica a pergunta: quem de verdade está disposto e verdadeiramente junto ao povo indígena? Lutando pela mesma luta, pelos mesmos direitos, ideais, proteção e segurança, valores e contra quem tenta derrubar de maneira abrupta toda a nossa história. Quem quer oficialmente que a existência indígena permaneça? A quem interessa a sobrevivência desse povo? E por qual motivo continuar lutando? São perguntas muitas vezes respondidas repentinamente, sem dar a importância que elas têm, se analisar a briga que estamos comprando, sem avaliar os critérios de enfrentar um estado genocida e sem medir a dimensão da grandiosidade que é a luta dos povos indígenas, a nossa luta.

“Trata-se da pior gestão da história da Fundação, que deixou de cumprir a função de proteger e promover os direitos dos povos indígenas para negociar nossas vidas e instrumentalizá-la em prol de interesses escusos e particulares do agronegócio, da garimpo ilegal e de outras tantas ameaças que colocam em risco a nossa existência”, relata a carta publica dos indígenas do brasil sobre a Funai.

Foto: Mídia Ninja

As imagens falam por si só, o espetáculo está de cortinas abertas mostrando a identidade e a face de quem a mando de poderosos, atacam sem pudor seres humanos que estão na busca por garantias de sobrevivência. Os originários se dirigiram até a Funai simplesmente para serem ouvidos, compreendidos e apresentar as suas posições ao representante do órgão, visto que o mesmo está a favor do Projeto de Lei (PL) 490/2007, sem nem mesmo ter escutado as considerações indigenistas. Que órgão de proteção é esse? Querem proteger a quem? Ficou claro que a preocupação deles não é com os originários, e por isso, os indígenas pedem a saída imediata do atual presidente da Funai.


Sob um governo genocida, a Funai tem ido de contra os interesses dos povos indígenas, facilitando a invasão em Terra indígena, autorizando a certificação de terras privadas sobre as não homologadas, além de diminuir a proteção e a assistência aos povos que lutam por demarcação. O órgão também tem afastado e intimidado lideranças que são contra o governo bolsonarista, resultando em inquéritos para investigar indígenas que criticam o atual governo.


Durante os últimos dias lideranças indígenas estão em manifesto, no Congresso Nacional, em luta por diversas causas, entre elas, direto a demarcação, segurança, saúde, educação e outros, São muitos os direitos básico a que não são garantidos a essa população, que precisa fazer barulho, ir para a porta da cúpula do poder, subir em telhados para serem vistos e ouvidos, isso quando não são atacados.

Leia a carta na íntegra:


CARTA PÚBLICA DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL SOBRE A FUNAI

Nós, povos indígenas reunidos no Levante Pela Terra, em Brasília, estamos mobilizados há mais de 10 dias contra a agenda anti-indígena que tramita nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, colocando em risco a vida de todos os povos indígenas.

Ainda sob as restrições da pandemia e com maioria de nós vacinados – vacinação que só aconteceu com muita luta do movimento indígena, reunimos mais de 1 mil indígenas de todas as regiões do Brasil e afirmamos: o delegado Marcelo Xavier não é mais o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai)!


Trata-se da pior gestão da história da Fundação, que deixou de cumprir a função de proteger e promover os direitos dos povos indígenas para negociar nossas vidas e instrumentalizá-la em prol de interesses escusos e particulares do agronegócio, da garimpo ilegal e de outras tantas ameaças que colocam em risco a nossa existência.

Um delegado que transformou a Funai na “Fundação da INTIMIDAÇÃO do Índio”, órgão que, hoje, mais se parece com uma delegacia política que persegue e criminaliza lideranças. Edita atos administrativos anti-indígenas, como a Instrução Normativa nº 09 e outras, negocia medidas no Congresso Nacional, a exemplo do lobby que ele apresentou aos inimigos dos povos indígenas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, pedindo – pasmem! – a aprovação do PL 490.


O PL 490 na prática acaba com a política de demarcação de terras indígenas no país, abrindo possibilidade inclusive de revisão de terras já demarcadas.

Chega de tantos absurdos. Fora Marcelo Xavier.

Levante pela Terra Brasília – DF, 16 de junho de 2021