Mais um ataque aos povos indígenas vindo do Estado Brasileiro


Até quando o Brasil vai derramar sangue dos povos indígenas? Até quando vamos precisar lutar sozinhos pelos nossos direitos e da natureza? Ontem (23), mais uma vez vimos nossos direitos sendo tomados de nossas mãos, decididos pelos “homens brancos” que ocupam os cargos que definem a nossa vida, da forma mais cruel possível.


A Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados Federais, aprovou com 40 votas a 21 o PL 490. Uma votação feita a portas fechadas, sem a presença de nenhum representante indígena, os deputados em sua maioria aliados deste governo genocida e ecocida, aprovaram o PL que acaba com a demarcação de terras indígenas, e ataca os direitos garantidos na constituição de 1988.


Este PL abre mais uma ferida em nossos direitos, e tem como principal motivo arrancar as terras dos povos originários. Ele legitima os ataques que nossos parentes tem sofrido em seus territórios vindo de madeireiros e garimpeiros.


A terra indígena, um ambiente sagrado para nós originários, sempre foi sondada de forma gananciosa pelos exploradores ilegais e autoridades que ao invés de proteger estão de olho na geração de lucro, que dizem melhorar a economia do país, no entanto, somos conhecedores da intenção e da fala do governo bolsonarista, que se prevalece de uma pandemia que já matou quase meio milhão de pessoas, para deixar a “boiada passar”.



foto: José Cruz/Agência Brasil

Além de vermos nosso futuro sendo lançado por essas pessoas, ainda tivemos que assistir ao show de horrores vindo delas. A sessão da Câmara dos deputados foi marcada por falas racistas, uma delas vinda da Deputada Alê Silva (PSL), que comparou as terras indígenas a um “zoológico humano”.


Estamos vendo a olhos nus nossas terras sendo tiradas de nós, estamos sofrendo ataques diários em comunidades indígenas em todos os cantos do país, sofremos com racismo e ele é institucionalizado, haja vista, o exemplo dessa deputada, que após sua fala não foi sequer impedida pela presidência da Câmara, e muito menos será presa.


Mesmo com tudo e todos contra nós, não vamos esmorecer, o levante será ainda maior, estaremos lutando até que o último indígena esteja em pé, até que a última gota seja derramada. E o aviso é para todos, a conta dessas atitudes chegará, e ficará para sempre marcado na história deste país.