Transexual, Majur Traytowu, é empossada cacique da Aldeia Apido Paru em Cuiabá



Majur Traytowu, aos 30 anos, é oficialmente a cacique da Aldeia Apido Paru da Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Ela foi empossada há cerca de um mês, após seu pai de 79 anos se afastar do cargo por motivos de doença.


Os caciques são escolhidos por votação que, geralmente, acontece a cada dois anos. No entanto, Majur assumiu a liderança da aldeia, oficialmente, logo após o afastamento do pai, sem eleição. Os demais indígenas, segundo ela, aceitaram, sem questionamentos.


Para muitos, o tema que envolvem pautas LGBTQIA+ ainda é considerado tabu, mas o que pouca gente sabe é que para a cultura dos povos indígenas, antes de sofrer interferência no processo de colonização, a ideia restrita dos papéis de gênero como a conhecemos hoje, baseada em homem/mulher, apenas foi incorporada pelos povos originários, após a chegada dos europeus, com a imposição das crenças cristãs, a ideia de pecado nas relações homoafetivas é considerada uma herança das igrejas.


A crença de alguns povos era de que algumas pessoas nasciam com um espírito feminino e outro masculino que se expressavam perfeitamente em um mesmo corpo, é o que dizem os antropólogos Estevão Rafael Fernandes e Barbara Arisi no estudo Gay Indians in Brazil: Untold Stories of the Colonization of Indigenous Sexualities (“Índios gays no Brasil: Histórias não contadas da colonização das sexualidades indígenas”. Não havia questões morais associadas nem aos gêneros nem à sexualidade; uma pessoa era julgada pela sociedade conforme seu caráter e de acordo com o que contribuía para a aldeia.


Para a Cacique Majur, a descoberta de sua transexualidade foi natural, ao se observar e notar que seu comportamento e gostos eram diferentes do que eram aceitáveis para um homem, e também por sua atração com o mesmo gênero. Onde de acordo com ela, foi neste momento que ela entendeu que nasceu em um corpo de homem mais com espirito de mulher.


A extinção das crenças nativas aconteceu por todo o continente americano. No Brasil, portugueses se esforçaram para erradicar as identidades de gêneros e comportamentos sexuais que hoje seriam considerados como transgeneridade e homossexualidade.


Para Majur estar a frente de um cargo tão importante de liderança, muita história foi feita, o processo de colonização foi muito forte, mas mesmo assim, as mudanças estão acontecendo e por isso