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O que o texto não diz, a semiótica revela: Editorial da Folha errou


foto reprodução

O fotojornalismo do Brasil é um dos melhores DO MUNDO. Temos fotos antológicas na nossa história e Gabriela Biló é uma das gigantes dessa nova geração.


Dito isto, é impossível não refletir sobre o tom das reações de elogio e repúdio à foto de Gabriela Biló , na Folha de São Paulo. Pessoalmente, vejo a exata dimensão do atoleiro em que nos encontramos. Aboliu-se a metáfora, a ironia. Fomos tragados para o pântano da literalidade. Uma pena.


No entanto, sobre a foto estampada na capa da Folha: não há texto sem contexto. E desprezar o contexto de agora, de violência política, radicalização de extremistas que veem Lula como alvo, é um equívoco. Tem gente que viu violência, tem gente que não, a depender do contexto inserido.


O que quero dizer é que Gabriela Biló faz centenas de fotos no seu trabalho, contudo a direção da Folha de São Paulo optou pela composição absurda da capa. Não há culpa da fotojornalista, que fez seu trabalho de forma honesta. O editor falhou miseravelmente. A opção do editorial que é questionável!


Sou fã do teu trabalho da Gabriela.

Entendo o apelo estético e provocativo contido nessa fotomontagem, mas a imagem atiça o desejo de parcela desprezível de pessoas que gostariam de ver Lula alvejado. No contexto, as possibilidades interpretativas não ajudam.


Dupla exposição é uma técnica que não muda a realidade, mas exalta a estética. A estética, como dizia Roland Barthes, não faz parte do fotojornalismo. Porém, atualmente, isto acabou! O valor estético tem muita importância para o campo fotográfico. Quanto o acontecimento para o fotojornalista. Mas o fotojornalismo é, antes de tudo, fotografia. Então a estética também tem valor informativo.


A capa da Folha de hoje é horrível. Todavia, tudo isso coexiste. O mundo é complexo, nem tudo é ferro e fogo. Olho por olho.

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