Pela vida das mulheres amazônidas, estamos em luta!




Oito de março é dia de luta e “os nossos passos vêm de longe”, e nem poderia ser diferente, a final, para nós mulheres indígenas, a luta pela vida é uma longa jornada que nasce a partir de lideranças ancestrais e se mantém viva até os dias atuais. Na pandemia as desigualdades de classe, raça e de gênero se aprofundaram ainda mais. A tragédia humanitária foi muito além do vírus e das mortes: com o aumento da pobreza e o crescimento da população em situação de rua. Também sentimos na pele o aumento das jornadas de trabalho e da dependência econômica das mulheres. No entanto a pesar das dificuldades, estamos em luta, vivas e atentas e fortes pra dizer que a luta das mulheres muda o mundo!


A violência não nos intimidará!


Somos o primeiro no mundo em assassinatos de mulheres trans e travestis, com aumento dos crimes de ódios contra a população LGBTQIA+, assim como o aumento da violência policial e encarceramento da população negra. Na política ante vida do governo federal, os povos indígenas e quilombolas seguem sofrendo extermínio, com a expulsão de seus territórios, o homicídio de suas lideranças e o aumento da fome e da miséria.


A crise da saúde colocou no centro do debate a importância da ação do Estado e dos serviços públicos, que foram precarizados pela Emenda Constitucional (EC) 95 ao congelar por 20 anos o investimento em políticas sociais, de saúde e educação. O desmonte da saúde é parte da ofensiva ultraneoliberal do governo Bolsonaro contra nós mulheres, e que tem como objetivo a privatização e a venda das empresas públicas em nome do capital financeiro internacional. A reforma administrativa é parte dessa estratégia.


Segundo dados do fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência no Brasil no ano de 2019. Os últimos dados do Monitor da Violência, colocaram o Pará como o sétimo estado mais violento para mulheres no Brasil. Sendo que no Pará, mais de um milhão de lares são chefiados por mulheres. Segundo apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada dez domicílios em território paraense, ao menos quatro têm a mulher responsável pelas finanças da família. Desse modo, o poder público não pode mais fazer vista grossa para a violência que cotidianamente nós mulheres sofremos.


O grito de milhões de mulheres em todo o Brasil segue com força


precisamos tirar Bolsonaro do poder, para construir alternativas de vida, recuperar a democracia, colocar o cuidado e a vida digna no centro da política! Não existe democracia com violência contra as mulheres, e a democracia não é real para todas nós enquanto não pudermos decidir com autonomia sobre nossos corpos, territórios e vidas.


Por isso ocuparemos às ruas de Belém neste oito de março para lutarmos pela defesa da vida das mulheres, contra a fome, pelos direitos sexuais e reprodutivos e mobilizando a sociedade na luta contra o machismo, ao racismo, à Lesbofobia e à TRANSfobia e contra todas ações que agravam as desigualdades para as mulheres no Brasil.


Basta de machismo, racismo, Lesbofobia e Transfobia e todas as formas de violência!