Polícia Federal deflagra operação de garimpo ilegal em T.I do povo Kayapó



Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira,27, a “Operação Terra Desolata”, com objetivo de desarticular organização criminosa especializada em extração e comércio ilegal de ouro, no sul do Pará, na Terra Indígena do povo Kayapó.


E inegável que desde que o Bolsonaro assumiu a presidência da República em 2019 a invasão as terras indígenas por criminosos e garimpeiro se tornou muito frequente, e na mesma medida as operações da Polícia Federal em terras indígenas e em áreas de proteção ambiental se tornou bastante comum.


As investigações tiveram início em 2020 e apontam que a organização criminosa atua em três níveis diversos. O primeiro nível refere-se aos garimpeiros comuns que extraem o ouro, sem Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), e vendem o ouro para os intermediários, os quais estão no segundo nível. Estes, por sua vez, revendem o ouro para grandes empresas, que estão no terceiro nível, para no fim injetá-lo no mercado nacional, ou então destiná-lo para exportação. Durante a investigação, foi constatado que sai das terras indígenas do sul do Pará aproximadamente uma tonelada de ouro extraído de forma ilegal, todos os anos.


No curso da investigação, foi identificada a existência de garimpo ativo em áreas particulares, que serão objeto de busca e apreensão em ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho (MPT), locais em que há suspeita de se ter trabalhadores em condições análogas à de escravo.


Caso confirmadas as hipóteses criminais, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelo crime de usurpação de bens da união, por explorar matéria-prima pertencentes ao referido ente (art. 2º da Lei 8.176/1991); por executar pesquisa, extração de recursos minerais sem a competente autorização (art. 55 da Lei 9.605/1998); por integrarem organização criminosa (art. 2º da lei 12.850/2013); e pelo crime de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/1998). Além disso, poderão responder por outros crimes a serem apurados no curso da investigação, como os previstos na Lei n° 9.605/1998 - Lei de Crimes Ambientais, bem como o crime de redução a condição análoga à de escravo, tipificado no artigo 149 do Código Penal.


A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio e indisponibilidade de valores em aproximadamente meio bilhão de reais, nas contas dos investigados; o sequestro com bloqueio de cinco aeronaves; suspensão da atividade econômica de 12 empresas; sequestro com bloqueio de bens imóveis de 47 pessoas físicas e jurídicas; e sequestro com bloqueio de outros 14 bens móveis.


Algo que chamou atenção dos policiais Federais durante o curso da investigação foi a quantidade de dinheiro é bens movimentados pela quadrilha em pouco tempo. Soma -se isso também o Grande estrago ambiental que essas quadrilhas de garimpeiros fazem ao meio ambiente e a floresta, pois para extrair grandes quantidades de ouro do modo que a quadrilha fazia é necessário usar muitas máquinas pesadas, derrubar milhares de árvores e fazer grandes buracos na floresta, causando também muita poluição a rios e a córregos, tudo isso dentro de reservas indígenas que na prática deveria ser áreas de proteção ambiental.


O nome da Operação “Terra Desolata” é uma referência à expressão italiana equivalente à expressão em português “Terra Devastada”, uma vez que o ouro extraído de forma ilegal no sul do Pará é enviado para Europa, tendo a Itália como porta de entrada, deixando aqui apenas a terra devastada, em italiano: Terra Desolata.