Rio Tocantins na mira da política de destruição da Amazônia

Mais um ataque ao ecossistema Amazônida: Governo Federal planeja aprofundar o leito do Rio Tocantins para permitir o transporte rápido de soja e minérios




O aumento do desmatamento, perda da biodiversidade e prejuízos econômicos causados às comunidades que vivem no entorno de barragens não têm sido levados em conta no projeto que planeja escavar e dragar milhões de metros cúbicos de rochas e areia do Rio Tocantins, um ecossistema conhecido como Pedral do Lourenço, habitat de espécies natural de peixe.


O que está em planejamento é implodir e dragar um trecho total de 212 quilômetros do Rio Tocantins. A obra representará o derrocamento de 35 quilômetros de rochas de um trecho do Pedral do Lourenço, uma paisagem de importância histórica e biológica nessa região do Pará. É mais um ataque sistemático aos povos tradicionais da Amazônia, desconsiderando a raiz ancestral do povo e sua história.


Segundo a planta do projeto m o leito do Rio Tocantins será aprofundado para permitir o transporte rápido de soja e minérios para a China e a Europa.


O empreendimento forja uma aparente participação popular para seguir com o projeto que ataca a Amazônia e seus povos. O projeto atende principalmente ao transporte do minério extraído pela Vale no estado. E está inserida na lógica que prioriza a utilização dos rios da Amazônia em detrimento ao povo da região, mas em benefício do grande capital, num crescente processo de privatização dos recursos hídricos.


É notório que no sistema econômico atual em que tudo visa ao lucro e à acumulação das riquezas, baseado na propriedade privada dos meios de produção, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável não está inserido. O governo federal passa o “trator” na floresta, autoriza o uso de agrotóxico e envenena nossos rios. Na política federal o sistema age contra o meio ambiente.


A bacia do Araguaia-Tocantins é a segunda maior do Brasil, com cerca de 3 mil quilômetros de “potencial navegável”, de acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Essa cobiça desconsidera o valor imensurável do rio para a população, sobretudo, para cidades como Anapu, Capitão Poço, Garrafão do Norte, Parauapebas, Tucuruí, Redenção, Cametá, entre outros.


“Todos esses empreendimentos atendem o interesse do capital e deixam um rastro de violência e violação de direitos humanos. Estamos vivendo cheias e secas em diferentes partes do Brasil, reflexo das mudanças climáticas “, enfatiza Iury Paulino do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que acredita que é necessário a trazer esse tema para a discussão e a união da sociedade para barrar o avanço da destruição do meio ambiente. “Essa hidrovia sendo realizada teremos muitos prejuízos na pesca, transporte aquático, especulação fundiária, além da desapropriação da população que vive na área. Então, essa é um luta imensa e precisamos da unidade do povo para viabilizar a luta para não deixarmos esse projeto de morte acontecer.”