Símbolo de ancestralidade e resistência, o museu do Marajó está novamente de portas abertas



Com 45 anos de história marajoara, o Museu do Marajó, localizado em Cachoeira do Arari foi entregue a população, nesta quinta-feira (03). O espaço idealizado e fundado pelo museólogo, padre jesuíta, Giovanni Gallo, em 1977, e responsável por preservar, cultivar e mostrar a origem e ancestralidade dos povos antepassados que ali viviam, foi totalmente revitalizado pelo Governo do Pará, através da Secretaria de Estado de Cultural (Secult).


Repleto de força marajoara, e simbolos que remetem a verdadeira história do povo negro, indigena e ancestral que existiram e rexistiram no municipio, o acervo é para além de somente um espaço, mas significa o que o povo marajoara é. Gallo foi perspicaz ao transformar uma fábrica de óleos vegetais, lá nos anos 70, em um espaço que respira originalidade e guarda narrativas importantes da história do nosso povo.


Antes da reforma o espaço encontrava-se em uma situação de degradação, mas ainda assim Gallo mantinha o acervo de pé, após o seu falecimento no início dos anos 2000, a situação ficou mais complicada, mas ainda assim, a diretoria do museu lutou para mantê-lo de pé, escapando com muita dificuldade da falta de recursos e do pouco conhecimento técnico para manter o museu de portas abertas. Porém, em 2018 o espaço foi fechado pelo corpo de bombeiro, em razão do comprometimento em sua estrutura


Mas o governo estadual resolveu traçar um plano para salvar a estrutura da construção e reabrir o espaço cultural, e para além da reforma houve um trabalho cuidadoso em preservar toda a tipologia do acervo, sem deixar para trás a identidade daquele lugar que foi fundado por Gallo, com a ajuda da célebre população do local.


Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará


A Secretária de Cultura do Estado do Pará, Ursula Vidal, ressaltou o compromisso da Secult em contemplar a arte e a cultura de todas as amazônidas que habitam no Pará. “Nossas ações transformaram a Secult de fato numa secretaria que realiza obras e eventos para todas as classes sociais, levando a arte e a cultura onde o povo está”. finalizou ela.


Mesmo com a estrutura comprometida, o Museu do Marajó sempre teve prestígio de pesquisadores e historiadores do mundo inteiro, que sabiam de toda a riqueza das peças, dos significados e da importância de tudo isso para a ancestralidade não somente marajoara, mas brasileira.


Museu do Marajó, no Pará. — Foto: Secult

O simbolismo de ancestralidade, força e resistência, aliados as belíssimas peças em cerâmica arqueológicas, aos artefatos de uso cotidiano, as fotos de figuras importantes da região, aos instrumentos de trabalho da população local, e tantos outros objetos que compõem a riqueza do acervo, emocionam não somente quem é legítimo do marajó mas até mesmo quem está lá a passeio e encanta-se com as belezas do museu.


Morador legítimo do Marajó, o historiador Lucas Barayo, nos conta que já foi diversas vezes ao museu, viu as várias fases do espaço, tanto na presença de Gallo quanto fora dela, o historiador conta que até os tijolos usados para a construção do espaço tinham um fundamento e história para Gallo, ele conta também que a reformulação do espaço desta vez mais valorizado e com mais recursos, abre uma nova janela para os marajoaras, dando mais visibilidade e a originalidade que sempre lhes pertenceu. “Abre-se uma janela para que os marajoaras possam estar expondo e se orgulhando da sua identidade, de uma riqueza infinita e da identidade negra e indigena”, enfatizou ele.


Estar em terras marajoaras é sempre transformador, porém ir até lá e pode desfrutar de cada pedacinho da história do povo é ainda mais estimulante, aos que ainda não foram ao Marajó, a visita deve ser obrigatória, um paraíso daquela proporção precisa ser visitado e revisitado por aqueles que procuram por paz, tranquilidade, beleza e muita, muita história boa do povo desbravador e marajoara.