Tragédia de Mariana: A lama que ainda está impregnada na memória



Já se passaram seis anos da grande tragédia de Mariana (MG), e as consequências desse desastre ainda assombra a vida dos moradores que foram atingidos pela lama que empresa Samarco, controlada pela Vale, escoou em suas vidas. Aumento de ansiedade, surgimento de depressão, pessoas que passaram a tomar remédios controlados, são relatos comuns entre os atingidos.


Um estudo realizado com atingidos pelo rompimento mensurou esses impactos, e os resultados têm magnitude que pode ser considerada "catastrófica", segundo responsáveis pela pesquisa. Os estudos realizados pela revista internacional “Science Direct” aponta que 74% das pessoas tiveram perdas de qualidade de vida em saúde.


Com a perda de sua comunidade, os moradores de Bento Rodrigues e Paracatu, que eram acostumados com a vida tranquila de uma zona rural, se viram obrigadas a viver em uma sede de Mariana.


A mineração está entre as maiores atividades que atacam diretamente o meio ambiente, e a vale, com suas subsidiárias instaladas em todo o canto do Brasil, tem grande responsabilidade por muitos danos causados por onde passa.


Após a tragédia de Mariana, a Vale apoiou a criação da Fundação Renova, que se demonstrou pouco eficaz. As vítimas, que perderam suas moradias e familiares dos mortos, não foram totalmente indenizadas. A lama tóxica (embora a empresa negue) continua no mesmo lugar e o Rio Doce continua praticamente morto.


No novo Bento Rodrigues, segundo dados da Fundação Renova, apenas dez casas estão concluídas. Em Paracatu de Baixo, a situação é ainda pior. Só seis residências tiveram a construção iniciada.


Em qualquer país sério agentes públicos responsáveis e os executivos da empresa estariam presos. No mínimo a companhia já deveria ter pago multas bilionárias, o que não ocorreu. Aqui os envolvidos posam como se uma tragédia anterior não tivesse ocorrido. Dão entrevistas como se eles fossem também as vítimas do acidente. Ao invés de buscar soluções reais, a Vale aproveitou da tragédia para lucrar. Usou a Renova para ganhar tempo com as autoridades, recusando-se a cumprir o acordo fechado com o Ministério Público Estadual e levando a disputa para o lento caminho judicial.


Enquanto isso, famílias inteiras perderam que perderam entes queridos na tragédia, agora vivem com o fantasma das consequências que o desastre de Mariana causou em suas vidas.