Um império bilionário fruto do garimpo ilegal em Terra Indígena


Foto: Divulgação

A extração e o comércio ilegal de ouro no Brasil estampou as páginas dos principais jornais do País no último final de semana. Segundo as investigações, o total de dinheiro movimentado às margens da lei chegou a R$16 bilhões em dois anos. A prática, já denunciada em minha coluna no Belém Trânsito em maio deste ano, tem as mesmas características: Fazem parecer ser um negócio dentro da lei, com publicidade e equipamentos de mineração industrial, mas tudo não passa de um truque da organização criminosa.


O ouro apreendido na operação vem do garimpo ilegal em Terra Indígena, que destrói o meio ambiente e ameaça a vida dos povos originários e de quem os defende como do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips assassinados há um mês.


Os 39 quilos de ouro em barras apreendidos em Jundiaí, interior de São Paulo, segundo a Polícia Federal, saíram do Pará com notas irregulares da Gana Gold. A empresa alegou ser proprietária do ouro e portar notas legais, mas a perícia contestou. O empreendimento funcionava apenas com uma licença de pesquisa da prefeitura de Itaituba, sob administração do prefeito Valmir Climaco de Aguiar.


O político paraense já foi condenado a 4 anos e 9 meses de prisão por explorar madeira da União em sua madeireira, decorrente do desmatamento de 746 hectares em terras da União, entre 2002 e 2003. E não para por aí. Velho conhecido do Ibama no Pará, Valmir Climaco e sua madeireira receberam 31 autuações ambientais, cujo valor total somou R$ 4,3 milhões de reais entre 1996 e 2014.


Essa ligação entre organizações de exploração de ouro, madeiras e pesca ilegal e políticos não é nova. Em maio publiquei a relação do empresário Dirceu Santos Frederico Sobrinho, dono da FD’Gold DTVM, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários fundada em 2007. Na época, ele se manifestava proprietário de ouro apreendido em outra operação policial em que o Ministério Público Federal (MPF) apontava o ouro como fruto de extração ilegal em área de Terra Indígena.


Devastação ambiental financiada por grandes empresários


Um esquema poderoso capitaneado por um grande montante financeiro da musculatura para organização criminosa agir na Amazônia. Segundo a polícia, somente uma empresa de transportes, da Zona Norte no Rio de Janeiro, com uma frota de mais de 600 caminhões e máquinas pesadas estava à serviço da organização. O dono, segundo as investigações, é quem realmente mandava na Gana Gold. A Polícia Federal também investiga corrupção de agentes da Agência Nacional de Mineração, vinculado ao Ministério de Minas e Energia do governo de Jair Bolsonaro.


A estrutura montada pelos criminosos para destruir a Amazônia é audaciosa. Só em uma ação da Polícia Federal na última sexta-feira, 8, foram apreendidos ouro, munições, motores e balsas usadas em garimpos ilegais na Terra Indígena do Baú, no sudoeste do Pará. Uma das balsas estava avaliada em R$ 2 milhões, contendo aparelhos de ar-condicionado e televisão. As investigações continuam na área para "combate ao desmatamento no interior da Terra Indígena Baú e de responsabilização dos infratores", segundo a PF.


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