Um mês: MPF e DPU responsabilizam governo Bolsonaro por morte de Bruno e Dom



As mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips tem as digitais de Jair Messias Bolsonaro. A negligência do governo federal e conivência com crimes como a grilagem em Terras Indígenas, o desmatamento ilegal e o garimpo, alinhado com o sucateamento da Fundação Nacional do índio (Funai), a falta de autonomia da Policia Federal e demais órgãos de controle criaram um clima favorável para o assassinato do jornalista britânico e do ativista indígena.


Em 14 de junho, na minha coluna no BT Mais eu já apontava Jair Bolsonaro como responsável pelas mortes de Dom e Bruno. Naquela ocasião, lembrei que o caso era uma tragédia anunciada dada a política destrutiva do atual governo.


Dessa vez quem chegou nessa conclusão foi o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) que agora pedem que a Justiça condene o governo federal a pagar R$ 50 milhões em danos morais coletivos pelo desmonte da Funai sob o governo de Jair Bolsonaro.

A indenização deverá ser repassada à Funai e a entidades indigenistas para garantir a integridade de povos indígenas e de recente contato, principalmente na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, onde o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira foram assassinados há um mês.


O caso é apenas um exemplo da política de destruição da Amazônia e do descaso com a vida dos povos originários por parte do governo Bolsonaro. O MPF e DFU apontam "omissão estrutural" da atual administração federal. A ação foi protocolada nesta segunda-feira, 4, e prever ainda que a Funai crie bases de proteção na Amazônia.

Não é fácil ter que explicar em pleno século XXI ainda se tenha casos bárbaros como esses no Brasil. Mortes como de Dorothy Stang, Chico Mendes, Zé do Lago, Paulinho Guajara e outros mostram o caminho que ainda precisamos percorrer. A luta pela Amazônia é cotidiana e muito dura no sistema de opressão e ameaças.


Mais do que os valores da indenização que pedem o MPF e DFU é preciso responsabilizar e punir os autores e mandates desse crime cruel. A politica ambiental precisa mudar urgente e criar um novo sistema de proteção da Amazônia e do seu povo.

Bruno e Dom deram a vida para registrar e enfrentar as ameaças que os territórios indígenas e seus povos sofriam. Lutaram por essa causa e por ela morreram. A luta continua, pois resistiremos as ameaças e seguiremos na defesa da vida e da Amazônia em memória de todas e todos aqueles que tombaram lutando.