Vacina por ouro: Mais uma denuncia de desvio de vacinas para povos indígenas



Mais um escândalo de desvio e venda de vacinas destinados aos povos indígenas foi revelado. Lideranças indígenas denunciam que ao menos 106 doses do imunizante Coronavac destinadas à terra Yanomami foram vendidas a garimpeiros em troca de ouro por servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde. A denúncia foi divulgada pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY).



Nosso povo vem amargando perdas irreparáveis de seus anciões, e ver uma noticia como essa é desesperadora. Os povos indígenas tem muito mais perdas pela covid-19 do que não indígenas, por conta de ações criminosas como essa. O garimpo é com certeza um de nossos maiores inimigos. De acordo com ofício, assinado no último dia 15 por Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Condisi-YY, menciona cinco servidores como responsáveis pelo esquema de vendas das vacinas na comunidade Komamassipi, na região do Parafuri. Lá, 45 garimpeiros foram vacinados pagando 15 gramas em cada dose. Já nas regiões do Parima foram 23 e em Homoxi 38 invasores imunizados, afirma a denúncia.


Não é a primeira vez que esse tipo de denúncia é feita, Outros desvios também ocorreram nos meses de março, abril e maio deste ano, conforme informou Hekurari . De acordo com a cotação do grama do ouro, a venda de imunizantes pode ter gerado cerca de 500 mil reais por 106 doses que deveriam ser aplicadas nos Yanomami.


Embora a vacinação dos indígenas seja prioritária e foi um dos primeiros grupos a serem vacinados quando se iniciou o calendário de vacinação no Brasil, os níveis de imunização ainda se encontram muito abaixo do esperado. Até esta sexta-feira,30, o Vacinômetro, site do governo do estado que divulga a aplicação dos imunizantes, mostra o envio de 19.001 doses de vacina contra a Covid-19 para o Dsei-Yanomami. Dessas, apenas 9.328 foram aplicadas (49,09% do total). Esta é uma conta que não fecha.



A vacinação dos indígenas começou em janeiro desse ano e, embora pertençam ao grupo prioritário, nem todos acima dos 18 anos foram vacinados. Segundo o condisi-YY, Em Parafuri, dos 496 indigenas, 140 foram vacinados. Já em Homoxi, dos 254, foram 115 imunizados. No Parima, são 219 vacinados entre 688 yanomami. Esses números mostram a lentidão da vacina para os povos indígenas, que foram o grupo prioritário no começo da imunização, mais de 6 meses e nem metade dos yanomami por exemplo, foram vacinados.


Os povos indígenas estão sendo assassinados pelo poder, a vida dos povos indígenas está sendo trocados por pedrinhas de ouro. Vidas estão sendo perdidas, pela ineficiência, e pelo projeto de morte que esse governo tem para sua população, principalmente para o povo originário.